Questão nº 17

Questão de Língua Portuguesa · FGV TCE-TO 2022 (nº 17)

FGV2022Comum TCE-TO - Analista TécnicoLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Texto 2
A nova era do divórcio (fragmento)

"'Novelas da Globo aumentam o número de divórcios no Brasil.' Parece fake news de haters, mas não. Trata-se de um dado histórico. A conclusão é de um estudo de 2009, feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A pesquisa fez um cruzamento entre informações de censos das décadas de 1970, 1980 e 1990 e dados sobre a expansão do sinal da Globo no país. Segundo os autores do estudo, o número de mulheres que se separaram aumentou conforme a teledramaturgia da emissora foi chegando a mais cidades.

'A exposição a estilos de vida modernos mostrados na TV, a funções desempenhadas por mulheres emancipadas e a uma crítica aos valores tradicionais mostrou estar associada aos aumentos nas frações de mulheres separadas e divorciadas nas áreas municipais brasileiras', diz a pesquisa. [...]

O que os estudiosos do BID não poderiam prever é o quanto os divórcios aumentariam no Brasil do século 21, por um motivo ainda mais insuspeito: a disseminação de um vírus.

Segundo o Colégio Notarial do Brasil, que congrega os tabeliães de notas e protestos, no primeiro ano da pandemia, em 2020, houve um aumento de 15% no número de divórcios em comparação com o ano anterior. Em 2021, então, o número de casais que oficializaram a separação bateu recorde: 80.573 divórcios consensuais, o maior da série histórica, que é registrada desde 2007.

[...] Sim, o início desnorteante da pandemia foi o gatilho para um boom de divórcios planeta afora. Motivos para a escalada nas tensões entre casais não faltaram, você sabe: o encarceramento no lar de ambos os cônjuges (condição que se estendeu indefinidamente para quem aderiu ao home office), perrengues financeiros, a necessidade de lidar com as crianças estudando em casa, distúrbios psicológicos (ansiedade, depressão, paranoia…).

[...] A [empresa americana] Legal Templates mostrou que os casados há menos de cinco anos foram os que mais se separaram em 2020: 58%. Aliás, quanto menor o tempo de união oficial, maior o aumento no índice de cada um para o seu lado. Enquanto, em 2019, pré-Covid, apenas 11% dos que se separaram tinham menos de cinco meses sob o mesmo teto, em 2020 essa porcentagem quase dobrou: foi para 20%.

Estudiosos que analisaram esses dados chegaram a uma conclusão que faz sentido: casais que haviam se unido havia pouco tempo são menos calejados para enfrentar o maremoto que atingiu a praia conjugal na onda do vírus. Os parceiros mais longevos já tinham passado por outras crises. Talvez ilesos, talvez feridos. E muitos aprenderam a sair delas juntos.

[...] Nesta nova era do divórcio, vale um alerta: mesmo nas separações mais amigáveis – e até afetuosas –, romper um relacionamento de anos segue sendo tão difícil quanto sempre foi. Os primeiros tempos tendem a ser um período deprimente, de luto mesmo, acordos difíceis e de pisar em ovos. Se você se separou, vale a pena um esforço a mais para manter o bom convívio. Não apenas pelo bem dos filhos – se o casamento produziu crianças. É importante honrar uma história que, em boa parte do tempo, foi partilhada com a pessoa que um dia você amou como se fosse a única."

Disponível em: https://super.abril.com.br/comportamento/a-nova-era-do-divorcio. Acesso em: 24/07/2022


Em cada uma das alternativas abaixo, encontra-se, nesta ordem, uma passagem transcrita do texto 2 e uma proposta de reescritura dessa mesma passagem.
Assinale a alternativa na qual, ao mesmo tempo, a passagem transcrita do texto 2 seja ambígua (desconsiderando-se nosso conhecimento de mundo) e a proposta de reescritura apresentada desfaça essa ambiguidade:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

A ambiguidade acontece quando uma frase ou expressão pode ser entendida de mais de uma forma, gerando incerteza sobre o significado pretendido. Geralmente, isso ocorre por causa da má colocação de palavras ou de uma estrutura sintática que permite múltiplas interpretações.

  • (A) Incorreta: A frase original não apresenta ambiguidade, e a reescrita é apenas uma alteração na ordem sintática (inversão do sujeito com o predicado), mantendo o mesmo sentido e clareza.
  • (B) Incorreta: A frase original não é ambígua. A reescrita utiliza uma oração reduzida de gerúndio para expressar a mesma ideia de modo ou causa, sem introduzir ou desfazer qualquer ambiguidade.
  • (C) Incorreta: Embora a frase original "O que os estudiosos do BID não poderiam prever é o quanto os divórcios aumentariam no Brasil do século 21" possa ter uma ambiguidade sutil (se "no Brasil do século 21" se refere a "prever" ou a "aumentariam"), a interpretação mais natural é que se refere ao aumento. A reescrita com a vírgula ("O que os estudiosos do BID não poderiam prever, no Brasil do século 21, é o quanto os divórcios aumentariam") resolve essa ambiguidade ao associar "no Brasil do século 21" à ação de "prever". No entanto, a ambiguidade na alternativa D é considerada mais clara e clássica.
  • (D) Correta: A frase original, "o encarceramento no lar de ambos os cônjuges", é ambígua. Pode significar:
    1. O encarceramento (que ocorreu) no lar, e esse encarceramento era de ambos os cônjuges. (O local do encarceramento é o lar).
    2. O encarceramento de ambos os cônjuges que estavam no lar. (O "no lar" qualifica os cônjuges, especificando quais deles foram encarcerados).
      A reescrita, "o encarceramento de ambos os cônjuges no lar", desfaz essa ambiguidade ao posicionar "no lar" de forma que ele se refira inequivocamente ao local do "encarceramento", e não aos "cônjuges".
  • (E) Incorreta: A frase original não é ambígua. A substituição de "Segundo" por "De acordo com" é uma troca de sinônimos que não altera o sentido nem a clareza da frase.

Fonte: FGV TCE-TO 2022 Conhecimentos Comuns (TCE-TO - Analista Técnico) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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