Questão de Arte — FGV SME-SP EFII e Médio 2023 (nº 48)
Em 2013, a intervenção realizada por indígenas da Comissão Guarani Yvyrupa, junto com integrantes de movimentos sociais, manchou de tinta vermelha o Monumento às Bandeiras, de Vítor Brecheret, na cidade de São Paulo. O ato ocorreu em meio aos protestos contra a PEC 215.

Ao explicar o ato, o coordenador da Comissão Yvyrupa afirmou: "Para nós, povos indígenas, a pintura não é uma agressão ao corpo, mas uma forma de transformá-lo. Alguns apoiadores entenderam a força do nosso ato simbólico e pintaram com tinta vermelha o monumento. Apesar da crítica, as imagens publicadas nos jornais falam por si só: com esse gesto, eles nos ajudaram a transformar o corpo dessa obra ao menos por um dia. Ela deixou de ser pedra e sangrou. Deixou de ser um monumento em homenagem aos genocidas que dizimaram nosso povo e transformou-se em um monumento à nossa resistência. Esse monumento para nós representa a morte. E para nós, arte é outra coisa. Ela não serve para contemplar pedras, mas para transformar corpos e espíritos."
Na perspectiva dos manifestantes, a intervenção
- Adifamou a escultura dos bandeirantes, por não valorizar a arte ocidental.
- Bvandalizou o monumento, por considerá-lo um ícone da arte universal.
- Calterou a forma plástica como a obra se apresenta e a ressignificou politicamente.
- Dexercitou outra forma de fruição estética da arte, mais contemplativa.
- Eresultou em uma cerimônia xamânica, para superar a memória de violências passadas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
- (A) Incorreta: para os manifestantes não houve "difamação"; o ato tem sentido positivo de transformação.
- (B) Incorreta: eles não veem a obra como ícone a preservar, mas como símbolo a ser ressignificado.
- (C) Correta: na perspectiva deles, a pintura alterou a forma plástica da obra e a ressignificou politicamente (de monumento aos genocidas a monumento à resistência).
- (D) Incorreta: a intervenção é ativa e transformadora, não contemplativa.
- (E) Incorreta: o próprio ato é descrito como gesto político-simbólico, não como cerimônia xamânica.
Fonte: FGV SME-SP EFII e Médio 2023 Arte (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.
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