Questão nº 42

Questão de Ensino Religioso · FGV SEE-MG 2023 (nº 42)

FGV2023PEB - Ensino ReligiosoEnsino Religioso
Gabarito: Cver comentário ↓

Leia o depoimento de uma socióloga indígena a respeito dos desafios enfrentados pelos povos tradicionais em ambiente urbano:

Sou Avelin Buniacá Kambiwá, mulher indígena do povo Kambiwá, moradora de Belo Horizonte de família migrante. A migração da minha família do sertão pernambucano para a capital mineira, se deu pela busca de melhores perspectivas de emprego e de renda. Com as condições desfavoráveis encontradas na cidade, foi muito difícil preservar as práticas sagradas originais, sendo que restou, a nós migrantes indígenas, ocupar as áreas pobres e de periferia dos centros urbanos, onde prevalecem, majoritariamente, as igrejas evangélicas pentecostais. Foi onde nos tornamos “Índio favela”. No que tange às nossas práticas do sagrado, esse desaparecimento é ainda mais evidente e violento. Não apenas pelo óbvio aspecto urbano da vida sem contato com a natureza, as roças, as ervas para o feitio dos chás, pomadas e remédios, mas também por uma pressão social para que isso aconteça. Participar dos ritos do colonizador camufla o racismo e nos dá uma falsa sensação de pertencimento.

Com base no depoimento, assinale a afirmativa que interpreta corretamente os problemas e as possibilidades das práticas ancestrais do sagrado nas cidades brasileiras para os povos tradicionais.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O depoimento da socióloga indígena revela como a migração para cidades, impulsionada pela busca de melhores condições, resulta na perda forçada de práticas sagradas e na assimilação cultural devido à pobreza e pressão social.

(A) Incorreta: A alternativa acerta ao vincular o sagrado indígena à natureza, mas erra ao afirmar que a conversão ao pentecostalismo é uma "preferência" por esse motivo. O texto indica que é uma consequência da pressão social, da falta de opções e de uma "falsa sensação de pertencimento" em um ambiente dominado por essas igrejas, não uma escolha baseada na ausência da natureza. Esta é a armadilha, pois parte da afirmação é verdadeira, mas a conclusão sobre a "preferência" é falsa e distorce o sentido do depoimento.
(B) Incorreta: O texto não sugere que a cosmovisão indígena "opõe cultura a natureza e tecnologia". Pelo contrário, a ausência da natureza é um problema para a manutenção de suas práticas, indicando uma integração, não uma oposição.
(C) Correta: O depoimento descreve o "empobrecimento" (ocupar áreas pobres e de periferia), a "falta de referências" (dificuldade em preservar práticas sagradas, vida sem contato com a natureza) e o "isolamento" cultural (tornar-se "Índio favela", falsa sensação de pertencimento). Paralelamente, menciona os "processos de assimilacionismo violentos" através da "pressão social" para o desaparecimento das práticas e a participação nos "ritos do colonizador" que "camufla o racismo".
(D) Incorreta: Esta alternativa contradiz diretamente o depoimento, que descreve um cenário de dificuldades, pressão e desaparecimento de práticas, e não de "equidade" ou facilidade na manifestação de saberes indígenas nos espaços urbanos.

Fonte: FGV SEE-MG 2023 PEB - Ensino Religioso (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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