Questão nº 17

Questão de Atualidades · FGV PMAC 2023 (nº 17)

FGV2023Comum TESAtualidades
Gabarito: Ever comentário ↓

Em 2023, a Volkswagen criou a campanha publicitária “Volkswagen 70 anos” para lançar a versão moderna da Kombi. As imagens mostram Maria Rita, filha de Elis Regina, dirigindo o veículo lançado pela montadora e, num dado momento, Elis aparece ao lado, dirigindo uma kombi original, e as duas cantam juntas Como Nossos Pais, de autoria de Belchior. O dueto só foi possível pelo uso de Inteligência Artificial (IA) que “trouxe à vida” a cantora morta em 1982. Enquanto muitos fãs e internautas elogiaram e se emocionaram com a propaganda, outros questionaram se é ético usar a imagem de uma pessoa que não está mais viva em um contexto fictício usando deep fake. O debate chegou ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), que abriu um processo para avaliar a peça publicitária.
Com base no relato do episódio, analise as afirmativas sobre o aspecto ético do uso de imagens geradas por IA pela indústria audiovisual.
I. O fato de a campanha não alertar os espectadores que as imagens foram produzidas com uso de IA pode gerar desinformação e distorção da realidade.
II. A adoção da tecnologia deep fake na indústria audiovisual preocupa o sindicato de atores e cantores, que questionam o direito de recriar vozes e imagens de artistas que faleceram.
III. O uso, considerado descontextualizado por uma parcela da sociedade, de uma música escrita como crítica ao regime militar levantou dúvidas sobre o direito de herdeiros autorizarem o uso da imagem/voz de uma pessoa que já morreu para recriar cenas ficcionais.
Está correto o que se afirma em

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A deep fake é uma tecnologia de Inteligência Artificial que cria vídeos, áudios ou imagens falsas, mas muito realistas, manipulando ou gerando rostos e vozes. O dilema ético surge quando essas criações são usadas sem consentimento ou de forma enganosa, especialmente com pessoas falecidas, levantando questões sobre verdade, direitos autorais e memória.

  • (A) Incorreta: Esta alternativa afirma que apenas a I está correta, mas as afirmativas II e III também são válidas, conforme o contexto e o debate ético sobre o tema.
  • (B) Incorreta: Esta alternativa afirma que apenas I e II estão corretas, mas a afirmativa III também é válida, abordando a descontextualização da obra e os direitos dos herdeiros.
  • (C) Incorreta: Esta alternativa afirma que apenas I e III estão corretas, mas a afirmativa II também é válida, representando uma preocupação real dos sindicatos de artistas.
  • (D) Incorreta: Esta alternativa afirma que apenas II e III estão corretas, mas a afirmativa I também é válida, sendo uma preocupação central sobre a desinformação.
  • (E) Correta:
    • I. O fato de a campanha não alertar os espectadores que as imagens foram produzidas com uso de IA pode gerar desinformação e distorção da realidade. Verdadeiro. A falta de transparência sobre o uso de IA em criações que simulam a realidade pode enganar o público, fazendo-o acreditar que a pessoa falecida está realmente presente ou que a cena é autêntica, o que é uma preocupação ética fundamental.
    • II. A adoção da tecnologia deep fake na indústria audiovisual preocupa o sindicato de atores e cantores, que questionam o direito de recriar vozes e imagens de artistas que faleceram. Verdadeiro. Sindicatos de artistas globalmente têm manifestado preocupação com o uso de IA para recriar imagens e vozes, pois isso pode desvalorizar o trabalho humano, infringir direitos de imagem e voz, e levantar questões sobre consentimento e remuneração, mesmo para artistas falecidos.
    • III. O uso, considerado descontextualizado por uma parcela da sociedade, de uma música escrita como crítica ao regime militar levantou dúvidas sobre o direito de herdeiros autorizarem o uso da imagem/voz de uma pessoa que já morreu para recriar cenas ficcionais. Verdadeiro. A escolha da música "Como Nossos Pais", com seu forte significado político e social, para um comercial de carro, foi criticada por descontextualizar a obra. Além disso, o debate central sobre o uso da imagem de Elis Regina via deep fake sempre envolveu a questão dos direitos dos herdeiros sobre a imagem e voz de uma pessoa falecida em contextos comerciais e ficcionais.

Fonte: FGV PMAC 2023 Conhecimentos Comuns (TES) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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