Questão nº 12
Questão de Língua Portuguesa · FGV CGU 2021 (nº 12)
O filósofo Pascal escreveu certa vez: “O tempo cura as dores e as queixas, porque nós nos modificamos, não somos sempre a mesma pessoa. Nem o ofensor, nem o ofendido, são os mesmos. É como um povo que foi maltratado e que é reencontrado após duas gerações. São ainda os franceses, mas não os mesmos”.
Para defender uma tese, o autor apela para diferentes tipos de raciocínio. O processo utilizado nesse pequeno texto é o de raciocínio:
- Adedutivo, que parte de uma ideia geral, de um princípio, para daí tirar uma consequência particular;
- Bindutivo, que parte de vários fatos particulares, para daí tirar um princípio geral;
- Cpor oposição, em que se colocam duas situações contrárias;
- Dpelo absurdo, em que se supõe uma ideia contrária à tese defendida para mostrar que essa última acaba por uma conclusão falsa ou absurdo;
- Epor analogia, em que se utiliza uma comparação para a defesa da tese. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O raciocínio por analogia é quando se compara duas coisas ou situações diferentes que possuem semelhanças para explicar ou reforçar uma ideia sobre uma delas.
- (A) Incorreta: O raciocínio dedutivo parte de uma premissa geral para uma conclusão particular logicamente necessária; o texto não segue essa estrutura de derivação lógica, mas sim de comparação.
- (B) Incorreta: O raciocínio indutivo parte de observações particulares para chegar a uma conclusão geral; o texto começa com uma afirmação geral e a ilustra, não a deriva de fatos particulares.
- (C) Incorreta: O raciocínio por oposição envolve a apresentação de ideias ou situações contrárias para destacar um ponto; embora haja uma ideia de mudança ("não somos sempre a mesma pessoa"), o método principal não é o contraste direto, mas a comparação.
- (D) Incorreta: O raciocínio pelo absurdo (ou redução ao absurdo) consiste em supor o contrário da tese para mostrar que isso leva a uma conclusão ilógica ou ridícula; o texto não utiliza essa estratégia.
- (E) Correta: O autor defende a ideia de que o tempo cura porque as pessoas mudam, e para ilustrar e reforçar essa tese, ele faz uma comparação explícita ("É como um povo que foi maltratado...") entre a mudança individual e a mudança de um povo ao longo das gerações. Essa comparação entre duas situações distintas que compartilham a característica da mudança pelo tempo é a essência do raciocínio por analogia.
Fonte: FGV CGU 2021 Técnico Federal de Finanças e Controle (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.