Questão nº 13

Questão de Língua Portuguesa · FCC TST 2017 (nº 13)

FCC2017Técnico Judiciário - Área AdministrativaLíngua Portuguesa
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Sem chance de contestação, aquele foi mesmo um grande acontecimento na cidade. O palco do auditório Araújo Vianna – reinaugurado um ano antes, em março de 1964, no Parque da Redenção, depois de ocupar por quase quatro décadas a Praça da Matriz, de onde saiu para dar lugar à nova sede da Assembleia Legislativa –, estava repleto de som, luzes e gente, ah, muita gente, para dar vida à ópera Aida, de Giuseppe Verdi.

Na ponta do lápis, havia ali 100 músicos da Ospa, 130 cantores do Coral da Ufrgs e ao menos 30 bailarinas da academia de João Luís Rolla. Soldados da Brigada Militar se dividiam entre os papéis de guerreiros e escravos. Parrudos halterofilistas recrutados na Academia Hércules apareciam como guardas do faraó e, por fim, tratadores do Parque Zoológico de Sapucaia do Sul adentravam a cena para cuidar dos figurantes de outras espécies – macacos, cavalos, dromedários e leões, estes últimos enjaulados, obviamente.

Um mês antes, o maestro Pablo Komlós (regente da Ospa e diretor artístico da Ufrgs) havia passado pelas salas de aula para convidar os estudantes a participarem do coral da universidade. Numa das classes, a de Anatomia, do curso de Medicina, estudava Jair Ferreira, frequentador assíduo dos festivais de coros no Salão de Atos da Ufrgs. Bastou um mês de ensaios para que o barítono, fantasiado de egípcio, pisasse no palco pela primeira vez em sua vida.

Por certo, era hereditária a paixão pela música do jovem que se tornaria epidemiologista do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. A mãe não só tinha nome de cantora – Dalva, a exemplo de Dalva de Oliveira –, como sabia de cor desde cantigas de carnaval até árias de óperas. "A gente chorava ao ouvir sua voz de soprano delicado", elogia.

No conjunto de três sobrados geminados que compõem o cenário das reminiscências da infância em Rio Grande, as paredes generosamente deixavam escorrer notas musicais de uma casa para a outra. Uma das vizinhas tocava piano pontualmente às nove da noite – justo o horário em que Jair se recolhia, afinal, precisava pular da cama cedinho para ir à escola. Quase toda a noite, ele dormia ao som da Marcha Turca, de Mozart, mágico portal de entrada para o devaneio dos sonhos.

(Excerto de Paulo César Teixeira, Nega Lu, Porto Alegre, Libretos, 2015)


Mantendo-se o sentido e a correção, a forma verbal havia passado (3º parágrafo) pode ser alterada para

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

O pretérito mais-que-perfeito é um tempo verbal usado para indicar uma ação que ocorreu antes de outra ação também no passado. Ele pode ser expresso de forma simples (uma única palavra) ou composta (verbo auxiliar "ter" ou "haver" no pretérito imperfeito + particípio do verbo principal).

  • A) Correta: A forma verbal "passara" é o pretérito mais-que-perfeito simples do verbo "passar". Ela expressa exatamente o mesmo sentido de anterioridade em relação a outro evento passado que "havia passado" (pretérito mais-que-perfeito composto), mantendo a correção gramatical e o significado original.
  • B) Incorreta: "Iria passar" é uma construção que indica uma ação futura em relação a um ponto no passado (futuro do pretérito), ou uma intenção, e não uma ação já concluída antes de outro evento passado.
  • C) Incorreta: "Teria passado" é o futuro do pretérito composto, usado para expressar uma ação que poderia ter ocorrido no passado, mas não ocorreu, ou uma hipótese. Altera o sentido de uma ação que de fato aconteceu. (Armadilha: A semelhança na estrutura com "havia passado" pode confundir, mas o tempo do auxiliar "teria" muda o sentido para condicional/hipotético, e não de anterioridade de um fato).
  • D) Incorreta: "Passaria" é o futuro do pretérito simples, que indica uma ação que aconteceria no passado sob certa condição, ou um futuro em relação a um ponto no passado, mas não uma ação já concluída antes de outro evento passado.
  • E) Incorreta: "Passando" é o gerúndio, que indica uma ação contínua, simultânea ou o modo como algo acontece, não um tempo verbal que expressa anterioridade em relação a outro evento passado.

Fonte: FCC TST 2017 Técnico Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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