Questão nº 12

Questão de Língua Portuguesa · FCC TST 2017 (nº 12)

FCC2017Técnico Judiciário - Área AdministrativaLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Sem chance de contestação, aquele foi mesmo um grande acontecimento na cidade. O palco do auditório Araújo Vianna – reinaugurado um ano antes, em março de 1964, no Parque da Redenção, depois de ocupar por quase quatro décadas a Praça da Matriz, de onde saiu para dar lugar à nova sede da Assembleia Legislativa –, estava repleto de som, luzes e gente, ah, muita gente, para dar vida à ópera Aida, de Giuseppe Verdi.

Na ponta do lápis, havia ali 100 músicos da Ospa, 130 cantores do Coral da Ufrgs e ao menos 30 bailarinas da academia de João Luís Rolla. Soldados da Brigada Militar se dividiam entre os papéis de guerreiros e escravos. Parrudos halterofilistas recrutados na Academia Hércules apareciam como guardas do faraó e, por fim, tratadores do Parque Zoológico de Sapucaia do Sul adentravam a cena para cuidar dos figurantes de outras espécies – macacos, cavalos, dromedários e leões, estes últimos enjaulados, obviamente.

Um mês antes, o maestro Pablo Komlós (regente da Ospa e diretor artístico da Ufrgs) havia passado pelas salas de aula para convidar os estudantes a participarem do coral da universidade. Numa das classes, a de Anatomia, do curso de Medicina, estudava Jair Ferreira, frequentador assíduo dos festivais de coros no Salão de Atos da Ufrgs. Bastou um mês de ensaios para que o barítono, fantasiado de egípcio, pisasse no palco pela primeira vez em sua vida.

Por certo, era hereditária a paixão pela música do jovem que se tornaria epidemiologista do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. A mãe não só tinha nome de cantora – Dalva, a exemplo de Dalva de Oliveira –, como sabia de cor desde cantigas de carnaval até árias de óperas. "A gente chorava ao ouvir sua voz de soprano delicado", elogia.

No conjunto de três sobrados geminados que compõem o cenário das reminiscências da infância em Rio Grande, as paredes generosamente deixavam escorrer notas musicais de uma casa para a outra. Uma das vizinhas tocava piano pontualmente às nove da noite – justo o horário em que Jair se recolhia, afinal, precisava pular da cama cedinho para ir à escola. Quase toda a noite, ele dormia ao som da Marcha Turca, de Mozart, mágico portal de entrada para o devaneio dos sonhos.

(Excerto de Paulo César Teixeira, Nega Lu, Porto Alegre, Libretos, 2015)


Na ponta do lápis, havia ali 100 músicos da Ospa... (2º parágrafo)

O segmento sublinhado acima possui a mesma função sintática que o sublinhado em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O objeto direto é o termo da oração que completa o sentido de um verbo transitivo direto, indicando quem ou o que sofre a ação verbal, sem a necessidade de uma preposição. No caso do verbo "haver" no sentido de "existir", ele é impessoal (não tem sujeito) e o termo que indica o que existe funciona como objeto direto.

  • (A) Incorreta: "um grande acontecimento na cidade" é predicativo do sujeito. O verbo "foi" (ser) é de ligação e "aquele" é o sujeito, ao qual o predicativo atribui uma característica.
  • (B) Incorreta: "guardas do faraó" funciona como predicativo do sujeito (introduzido por "como") ou adjunto adverbial de modo/comparação, não como objeto direto.
  • (C) Correta: "os estudantes" é objeto direto. O verbo "convidar" é transitivo direto; quem convida, convida alguém (os estudantes), sem preposição.
  • (D) Incorreta: "Soldados da Brigada Militar" é o sujeito da oração, pois é quem pratica a ação de "se dividiam".
  • (E) Incorreta: "a paixão pela música" é o sujeito da oração. O verbo "era" (ser) é de ligação, e "hereditária" é o predicativo do sujeito. A frase está em ordem inversa (predicativo - verbo - sujeito).

Fonte: FCC TST 2017 Técnico Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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