Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC TST 2017 (nº 6)
Era julho de 1955. Dali a menos de dois anos, em março de 1957, Oscar Niemeyer estaria na comissão julgadora que escolheu o plano-piloto de Lúcio Costa – finalizado a tinta nanquim e último a ser inscrito na concorrência –, projeto vencedor para a construção da nova capital federal. Mas, naquele momento, ainda antes de ser convidado por Juscelino Kubitschek para criar os principais monumentos de Brasília, Niemeyer detalhou pela primeira vez como seria Marina, a única cidade projetada por ele no país.
"Podemos dizer que Marina será uma cidade planejada efetivamente de acordo com as concepções mais modernas da técnica urbanística", afirmou ao vespertino carioca A noite. "As distâncias entre os locais de trabalho, estudo, recreio e habitação serão limitadas a percursos de, no máximo, 15 minutos de marcha. Isso evitará a perda de tempo em transportes, permitindo folga suficiente para recreação e prática de esportes", declarou Niemeyer, que sonhava com uma cidade autossustentável, muito antes de o conceito se tornar a principal preocupação de projetos mundo afora.
O Estado de Minas obteve cópia do Memorial Descritivo da Cidade Marina, datilografado e assinado por Niemeyer. Nele consta que o arquiteto procurava "estabelecer para a cidade um sistema de vida humano e feliz, integrado na natureza, que aproveita e enriquece". O documento chama a atenção ainda para as áreas verdes, que teriam o paisagismo do artista plástico Roberto Burle Marx, outro nome fundamental na criação de Brasília. "Cercados de parques, jardins e vegetação abundante, os blocos de habitação coletiva estão integrados no seu verdadeiro objetivo, que é aproximar o homem da natureza, para lhe propiciar um ambiente natural e sadio".
O plano diretor da Cidade Marina previa centro cívico, com edifícios públicos, teatro, cinema, museu, biblioteca, lojas e restaurantes; hospital e centro de saúde; uma cidade vertical (com prédios de oito a 10 pavimentos) e outra horizontal (com residências); zona industrial, escolas, centro esportivo e um aeroporto, única intervenção que chegou a ser executada nas terras.
Niemeyer enfatizou que a urbanização da nova cidade seria baseada na habitação coletiva, com a localização em meio a verdadeiros parques e zonas de vegetação exuberantes. "Este sistema de organização da zona residencial, além de satisfazer perfeitamente todas as exigências sociais da vida moderna, proporcionará uma ligação efetiva de seus habitantes com a natureza privilegiada do lugar", afirmou o arquiteto, em 1955.
(RIBEIRO, Luiz e DAMASCENO, Renan. "Como seria Marina". Disponível em: www.em.com.br)
... ainda antes de ser convidado por Juscelino Kubitschek para criar os principais monumentos de Brasília... (1º parágrafo)
Mantendo-se a clareza e a correção, o termo sublinhado na frase acima ganha maior destaque em:
- A... Juscelino Kubitschek, ainda antes de ser convidado para criar os principais monumentos de Brasília...
- B... ainda antes de ele convidar Juscelino Kubitschek para criar os principais monumentos de Brasília...
- C... ainda antes de Juscelino Kubitschek convidar-se para criar os principais monumentos de Brasília...
- D... Juscelino Kubitschek, ainda antes de convidar-lhe para criar os principais monumentos de Brasília...
- E... ainda antes de Juscelino Kubitschek convidá-lo para criar os principais monumentos de Brasília... (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Para dar mais destaque a um termo que pratica uma ação, podemos reescrever a frase transformando a voz passiva (quando o sujeito sofre a ação) em voz ativa (quando o sujeito pratica a ação), fazendo com que esse termo se torne o sujeito da ação.
(A) Incorreta: Altera o sentido original da frase, pois sugere que Juscelino Kubitschek foi convidado, e não que ele convidou.
(B) Incorreta: Inverte completamente os papéis, fazendo parecer que Niemeyer convidaria Juscelino Kubitschek.
(C) Incorreta: Altera o sentido, indicando que Juscelino Kubitschek se convidou, o que não corresponde ao original.
(D) Incorreta: Apresenta um erro de regência verbal e uso de pronome oblíquo. O verbo "convidar" (alguém) pede objeto direto, e o pronome correto para a terceira pessoa do singular seria "o" ou "lo" (convidá-lo), não "lhe". A armadilha aqui é o uso incorreto do pronome "lhe", que é objeto indireto, quando o verbo "convidar" exige um objeto direto para a pessoa convidada.
(E) Correta: Mantém o sentido original da frase, transformando a voz passiva ("ser convidado por Juscelino Kubitschek") em voz ativa ("Juscelino Kubitschek convidá-lo"). Ao tornar "Juscelino Kubitschek" o sujeito da ação de convidar, o termo ganha maior destaque e ênfase. O pronome "lo" está corretamente empregado como objeto direto, referindo-se a Niemeyer.
Fonte: FCC TST 2017 Técnico Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.