Questão nº 11
Questão de Português · FCC TRT4 2022 (nº 11)
Sobre o amor, etc.
Dizem que o mundo está cada dia menor.
É tão perto do Rio a Paris! Assim é na verdade, mas acontece que raramente vamos sequer a Niterói. E alguma coisa, talvez a idade, alonga nossas distâncias sentimentais.
Na verdade há amigos espalhados pelo mundo. Antigamente era fácil pensar que a vida oferecia uma perspectiva infinita e nos sentíamos contentes achando que um dia estaríamos todos reunidos em volta de uma mesa farta e então tudo seria bom. Agora começamos a aprender o que há de irremissível nas separações.
Agora sabemos que jamais voltaremos a estar juntos; pois quando estivermos juntos perceberemos que já somos outros e estamos separados pelo tempo perdido na distância. Poderemos falar, falar, para nos correspondermos por cima dessa muralha dupla; mas não estaremos juntos; seremos duas outras pessoas, talvez por este motivo, melancólicas.
Chamem de tolo ao apaixonado que sente ciúmes quando ouve sua amada dizer que na véspera de tarde o céu estava lindíssimo. Se ela diz "nunca existirá um céu tão bonito assim" estará dando, certamente, sua impressão de momento; há centenas de céus extraordinários. Ele porém, na véspera, estava dentro de uma sala qualquer e não viu céu nenhum. Se acaso tivesse chegado à janela e visto, agora seria feliz em saber que em outro ponto da cidade ela também vira. Mas isso não aconteceu, e ele tem ciúmes. Sente que sua amada foi infiel; ela incorporou a si mesma alguma coisa nova que ele não viveu. Será um louco apenas na medida em que o amor é loucura.
É horrível levar as coisas a fundo. O amigo que procura manter suas amizades distantes e manda longas cartas sentimentais tem sempre um ar de náufrago fazendo um apelo. Naufragamos a todo instante no mar bobo do tempo e do espaço, entre as ondas de coisas de todo dia.
Assim somos na paixão do amor, absurdos e tristes. Por isso nos sentimos tão felizes e livres quando deixamos de amar. Que maravilha, que liberdade sadia em poder viver a vida por nossa conta! Sentimo-nos fortes, sólidos e tranquilos. Até que começamos a desconfiar de que estamos sozinhos, trancados do lado de fora da vida.
Na verdade há amigos espalhados pelo mundo.
Agora começamos a aprender o que há de irremissível nas separações.
há centenas de céus extraordinários
Respeitando-se as regras de concordância verbal, a permuta da forma verbal de "haver" por "existir" tem como resultado, respectivamente:
- Aexiste – existe – existem
- Bexiste – existe – existe
- Cexistem – existe – existem (alternativa correta)
- Dexiste – existem – existe
- Eexistem – existem – existe
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O verbo "haver", no sentido de "existir" ou "acontecer", é imessoal, ou seja, não tem sujeito e é sempre usado na terceira pessoa do singular. Já o verbo "existir" é pessoal e concorda em número (singular ou plural) com o seu sujeito.
- (A) Incorreta: A primeira e a terceira ocorrências de "haver" têm como sujeito "amigos" e "centenas de céus", ambos plurais, exigindo "existem".
- (B) Incorreta: A primeira e a terceira ocorrências de "haver" têm como sujeito "amigos" e "centenas de céus", ambos plurais, exigindo "existem".
- (C) Correta:
- "Na verdade há amigos espalhados pelo mundo." O sujeito de "existir" seria "amigos" (plural), então "existem".
- "Agora começamos a aprender o que há de irremissível nas separações." O sujeito de "existir" seria "o que" (referindo-se a algo singular), então "existe".
- "há centenas de céus extraordinários." O sujeito de "existir" seria "centenas de céus" (plural), então "existem".
- (D) Incorreta: A segunda ocorrência de "haver" (referindo-se a "o que") exige "existe", não "existem".
- (E) Incorreta: A segunda ocorrência de "haver" (referindo-se a "o que") exige "existe", não "existem".
Fonte: FCC TRT4 2022 Conhecimentos Comuns (Técnico Área Apoio Especializado TRT4 2022) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.