Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT24 2016 (nº 9)
Muito antes de nos ensinarem e de aprendermos as regras de bom comportamento socialmente construídas e promovidas, e de sermos exortados a seguir certos padrões e nos abster de seguir outros, já estamos numa situação de escolha moral. Somos, por assim dizer, inevitavelmente − existencialmente −, seres morais: somos confrontados com o desafio do outro, o desafio da responsabilidade pelo outro, uma condição do ser-para*.*
Afirmar que a condição humana é moral antes de significar ou poder significar qualquer outra coisa representa que, muito antes de alguma autoridade nos dizer o que é "bem" e "mal" (e por vezes o que não é uma coisa nem outra), deparamo-nos com a escolha entre "bem" e "mal". E a enfrentamos desde o primeiro momento do encontro com o outro. Isso, por sua vez, significa que, quer escolhamos quer não, enfrentamos nossas situações como problemas morais, e nossas opções de vida como dilemas morais.
Esse fato primordial de nosso ser no mundo, em primeiro lugar, como uma condição de escolha moral não promete uma vida alegre e despreocupada. Pelo contrário, torna nossa condição bastante desagradável. Enfrentar a escolha entre bem e mal significa encontrar-se em situação de ambivalência. Esta poderia ser uma preocupação relativamente menor, estivesse a ambiguidade de escolha limitada à preferência direta por bem ou mal, cada um definido de forma clara e inequívoca; limitada em particular à escolha entre atuar baseado na responsabilidade pelo outro ou desistir dessa ação – de novo com uma ideia bastante clara do que envolve "atuar baseado na responsabilidade".
(Adaptado de: BAUMAN, Zygmunt. Vida em fragmentos: sobre a ética pós-moderna. Trad. Alexandre Werneck. Rio de Janeiro, Zahar, 2011, p. 11-12.)
Esta poderia ser uma preocupação relativamente menor, estivesse a ambiguidade de escolha limitada à preferência direta por bem ou mal... (3º parágrafo)
Ao reescrever-se o trecho acima com o verbo poder flexionado no futuro do presente do indicativo, a forma verbal "estivesse" deverá ser substituída, conforme a norma-padrão da língua, por
- Aestar.
- Bestará.
- Cestiver.
- Destá.
- Eesteja. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A concordância verbal garante que os verbos em uma frase combinem corretamente em tempo e modo, especialmente entre a oração principal e a oração subordinada que expressa uma condição ou hipótese.
- (A) Incorreta: "Estar" é o infinitivo e não se flexiona para concordar com o sujeito e o tempo verbal da oração.
- (B) Incorreta: "Estará" está no futuro do presente do indicativo, que expressa uma certeza futura, não uma condição ou hipótese que acompanha o verbo principal no futuro.
- (C) Incorreta: "Estiver" está no futuro do subjuntivo. Embora seja uma opção gramaticalmente possível para expressar uma condição futura ("Se estiver, poderá ser..."), a norma-padrão e o contexto de manter a nuance de hipótese do verbo original ("estivesse") favorecem o presente do subjuntivo. A armadilha aqui é que "estiver" é muito comum com o futuro do presente, mas "esteja" é a forma que melhor mantém o sentido de possibilidade ou desejo da condição.
- (D) Incorreta: "Está" está no presente do indicativo, que expressa um fato presente, não uma condição ou hipótese que acompanha o verbo principal no futuro.
- (E) Correta: Quando a oração principal está no futuro do presente do indicativo ("poderá ser"), a oração subordinada que expressa uma condição ou hipótese (como a implícita pelo "se" em "estivesse") deve ser flexionada no presente do subjuntivo ("esteja"). Essa forma mantém o sentido de possibilidade ou incerteza da condição, alinhando-se com a ideia de que a preocupação poderá ser menor se a ambiguidade for limitada.
Fonte: FCC TRT24 2016 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.