Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT23 2022 (nº 3)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 5, considere o poema abaixo do escritor mato-grossense Manoel de Barros.
[1] Nosso conhecimento não era de estudar em livros.
Era de pegar de apalpar de ouvir e de outros sentidos.
Seria um saber primordial?
Nossas palavras se ajuntavam uma na outra por amor
[5] e não por sintaxe.
A gente queria o arpejo. O canto. O gorjeio das palavras.
Um dia tentamos até de fazer um cruzamento de árvores
com passarinhos
para obter gorjeios em nossas palavras.
[10] Não obtivemos.
Estamos esperando até hoje.
Mas bem ficamos sabendo que é também das percepções
primárias que nascem arpejos e canções e gorjeios.
Porém naquela altura a gente gostava mais das palavras
[15] desbocadas.
Tipo assim: Eu queria pegar na bunda do vento.
O pai disse que vento não tem bunda.
Pelo que ficamos frustrados.
Mas o pai apoiava a nossa maneira de desver o mundo
[20] que era a nossa maneira de sair do enfado.
A gente não gostava de explicar as imagens porque
explicar afasta as falas da imaginação.
A gente gostava dos sentidos desarticulados como a
conversa dos passarinhos no chão a comer pedaços de
[25] mosca.
Certas visões não significavam nada mas eram passeios
verbais.
A gente sempre queria dar brasão às borboletas.
A gente gostava bem das vadiações com as palavras do
[30] que das prisões gramaticais.
Quando o menino disse que queria passar para as
palavras suas peraltagens até os caracóis apoiaram.
A gente se encostava na tarde como se a tarde fosse
um poste.
[35] A gente gostava das palavras quando elas perturbavam
os sentidos normais da fala.
Esses meninos faziam parte do arrebol como
os passarinhos.
(BARROS, Manoel de. Menino do mato. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015)
Em "O pai disse que vento não tem bunda. / Pelo que ficamos frustrados." (versos 17 e 18), a expressão sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido original, por:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 4, questão nº 5.
- AApesar disso
- BAinda assim
- CPara além disso
- DNão obstante
- EEm razão disso (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: Conectivos são palavras ou expressões que ligam partes de um texto (frases, orações, parágrafos), estabelecendo entre elas diferentes relações de sentido, como causa, consequência, adição, contraste, tempo, etc.
- A) Incorreta: "Apesar disso" indica uma relação de concessão (algo que ocorre apesar de um obstáculo), e não de consequência.
- B) Incorreta: "Ainda assim" também expressa concessão ou contraste, significando "mesmo assim" ou "apesar disso", o que não se encaixa na relação de causa e efeito presente.
- C) Incorreta: "Para além disso" introduz uma adição ou um novo argumento, significando "além disso" ou "ademais", e não a razão ou consequência de algo.
- D) Incorreta: "Não obstante" é um conectivo de concessão, sinônimo de "apesar disso" ou "contudo", que não se alinha com o sentido de causa-consequência da frase.
- (E) Correta: "Em razão disso" expressa uma relação de causa ou motivo, indicando que a frustração foi uma consequência direta da afirmação do pai. O "Pelo que" no contexto significa "por causa disso", "por essa razão", estabelecendo uma relação de consequência.
Fonte: FCC TRT23 2022 Conhecimentos Comuns (Técnico Área Apoio Especializado TRT23 2022) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.