Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT23 2022 (nº 9)
Atenção: Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.
O futuro encolheu
Nós, modernos, acordando, voltamo-nos sobretudo para o futuro. Definimo-nos pela capacidade de mudança − não pelo que somos, mas pelo que poderíamos vir a ser: projetos e potencialidades. O tempo de nossa vida é o futuro. Em nossos despertares cotidianos, podemos ter uma experiência fugaz e minoritária do presente, mas é a voz do futuro que nos acorda e nos faz sair da cama.
A questão é: qual futuro? Ele pode ser de longo prazo: desde o apelo do dever de produzir um mundo mais justo até o medo das águas que subirão por causa do efeito estufa. Ou então ele pode ser imediato: as tarefas do dia que começa, as necessidades do fim do mês, a perspectiva de um encontro poucas horas mais tarde.
Do século 17 ao começo do século 20, o tempo dominante na experiência de nossa cultura parece ter sido um futuro grandioso − projetos coletivos a longo prazo. Hoje prevalece o futuro dos afazeres imediatos. Nada de utopia, somente a agenda do dia. Afinal, aqueles futuros de outrora, gloriosos, revelaram-se como barbáries do século.
Ainda assim, o futuro encolhido de hoje parece um pouco inquietante. É que o futuro não foi inventado só para espantar a morte. O futuro nos serve também para impor disciplina ao presente. Ele é nosso árbitro moral. Esperamos dele que avalie nossos atos. Em suma: a qualidade de nossos atos de hoje depende do futuro com o qual sonhamos. Nossa conduta tenta agradar ao tribunal que nos espera. Receio que futuros muito encolhidos comandem vidas francamente mesquinhas.
(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 88-89)
É inteiramente regular a pontuação da frase:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8, questão nº 10.
- AO futuro nos parece hoje inquietante, desde que se constatou, que sofreu um notável encolhimento.
- BDo futuro com que sonhamos, é que depende a qualidade mesma, dos nossos atos cotidianos.
- CÉ como se houvesse no futuro, um tribunal, de cujo veredito, dependerá a qualificação dos nossos atos.
- DNão apenas para disciplinar o presente, mas também, para espantar a morte, o sentimento do futuro se impõe.
- EOperando como nosso árbitro moral, o futuro, sempre inquietante, avaliará os atos que estamos a praticar. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A pontuação é regular quando segue as normas gramaticais, especialmente o uso da vírgula para separar termos deslocados, apostos, orações subordinadas e coordenadas, sem, contudo, separar o sujeito do verbo ou o verbo de seus complementos diretos e indiretos essenciais.
(A) Incorreta: Há uma vírgula indevida antes da conjunção integrante "que" ("se constatou, que sofreu").
(B) Incorreta: Há vírgulas indevidas separando o sujeito de seu verbo ("Do futuro com que sonhamos, é que depende") e o substantivo de seu adjunto adnominal ("a qualidade mesma, dos nossos atos").
(C) Incorreta: Há vírgulas indevidas separando o verbo de seu complemento ("houvesse no futuro, um tribunal") e o substantivo de sua oração subordinada adjetiva ("um tribunal, de cujo veredito").
(D) Incorreta: Há uma vírgula indevida após o advérbio "também" ("mas também, para espantar a morte"), que faz parte de uma conjunção coordenativa aditiva.
(E) Correta: A vírgula após "moral" isola uma oração subordinada adverbial reduzida de gerúndio deslocada; as vírgulas após "futuro" e "inquietante" isolam um aposto explicativo ou adjunto adnominal de valor explicativo.
Fonte: FCC TRT23 2022 Conhecimentos Comuns (Área Judiciária TRT23 2022) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.