Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT23 2022 (nº 7)
Atenção: Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.
O futuro encolheu
Nós, modernos, acordando, voltamo-nos sobretudo para o futuro. Definimo-nos pela capacidade de mudança − não pelo que somos, mas pelo que poderíamos vir a ser: projetos e potencialidades. O tempo de nossa vida é o futuro. Em nossos despertares cotidianos, podemos ter uma experiência fugaz e minoritária do presente, mas é a voz do futuro que nos acorda e nos faz sair da cama.
A questão é: qual futuro? Ele pode ser de longo prazo: desde o apelo do dever de produzir um mundo mais justo até o medo das águas que subirão por causa do efeito estufa. Ou então ele pode ser imediato: as tarefas do dia que começa, as necessidades do fim do mês, a perspectiva de um encontro poucas horas mais tarde.
Do século 17 ao começo do século 20, o tempo dominante na experiência de nossa cultura parece ter sido um futuro grandioso − projetos coletivos a longo prazo. Hoje prevalece o futuro dos afazeres imediatos. Nada de utopia, somente a agenda do dia. Afinal, aqueles futuros de outrora, gloriosos, revelaram-se como barbáries do século.
Ainda assim, o futuro encolhido de hoje parece um pouco inquietante. É que o futuro não foi inventado só para espantar a morte. O futuro nos serve também para impor disciplina ao presente. Ele é nosso árbitro moral. Esperamos dele que avalie nossos atos. Em suma: a qualidade de nossos atos de hoje depende do futuro com o qual sonhamos. Nossa conduta tenta agradar ao tribunal que nos espera. Receio que futuros muito encolhidos comandem vidas francamente mesquinhas.
(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 88-89)
No 3º parágrafo, o autor faz ver um paradoxo do nosso tempo, quando constata que
Este texto de apoio vale também pra questão nº 6, questão nº 8, questão nº 9, questão nº 10.
- Anosso futuro se redefine na imediação da vida cotidiana. (alternativa correta)
- Bnossas utopias modernas foram barbáries do passado mais remoto.
- Cuma agenda fantasiosa nos desvia dos afazeres práticos.
- Duma inquietação nova surge a cada velha utopia atualizada.
- Euma vida mesquinha pode decorrer da expansão das expectativas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O conceito-chave aqui é a mudança na percepção do futuro. O texto mostra como a humanidade, que antes sonhava com grandes projetos de longo prazo (utopias), agora se limita aos afazeres imediatos do dia a dia, um futuro "encolhido".
- (A) Correta: O autor constata que, após os "futuros grandiosos" do passado terem se revelado "barbáries", a sociedade atual se volta para o "futuro dos afazeres imediatos", ou seja, o futuro se redefine no presente e nas tarefas cotidianas. Essa é a principal observação do 3º parágrafo, que aponta para o paradoxo de uma humanidade que se define pelo futuro, mas que o encolheu para o imediato.
- (B) Incorreta: O texto afirma que "futuros de outrora, gloriosos, revelaram-se como barbáries do século", referindo-se ao período do século 17 ao começo do século 20, que não é o "passado mais remoto". Além disso, a alternativa fala em "utopias modernas", o que não se alinha com o período mencionado.
- (C) Incorreta: O parágrafo diz exatamente o oposto: "Nada de utopia, somente a agenda do dia", indicando um foco nos afazeres práticos, e não um desvio deles por uma agenda fantasiosa.
- (D) Incorreta: A inquietação é mencionada no 4º parágrafo, e não está ligada à atualização de utopias, mas sim ao "futuro encolhido". O 3º parágrafo foca na substituição das utopias pela agenda diária.
- (E) Incorreta: O texto sugere que "futuros muito encolhidos comandem vidas francamente mesquinhas" (4º parágrafo), ou seja, a redução das expectativas (futuro encolhido) leva a uma vida mesquinha, e não a expansão das expectativas.
Fonte: FCC TRT23 2022 Conhecimentos Comuns (Área Judiciária TRT23 2022) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.