Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT23 2022 (nº 5)

FCC2022Comum Área Administrativa e Apoio Especializado TRT23 2022Língua Portuguesa
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Melancolia e criatividade

Desde sempre o sentimento da melancolia gozou de má fama. O melancólico é costumeiramente tomado como um ser desanimado, depressivo, "pra baixo", em suma: um chato que convém evitar. Mas é uma fama injusta: há grandes melancólicos que fazem grande arte com sua melancolia, e assim preenchem a vida da gente, como uma espécie de contrabando da tristeza que a arte transforma em beleza. "Pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza", já defendeu o poeta Vinícius de Moraes, na letra de um conhecido samba seu.

Mas a melancolia não para nos sambas: ela desde sempre anima a literatura, a música, a pintura, o cinema, as artes todas. Anima, sim: tanto anima que a gente gosta de voltar a ver um bom filme melancólico, revisitar um belo poema desesperançado, ouvir uma vez mais um inspirado noturno para piano. Ou seja: os artistas melancólicos fazem de sua melancolia a matéria-prima de uma obra-prima. Sorte deles, nossa e da própria melancolia, que é assim resgatada do escuro do inferno para a nitidez da forma artística bem iluminada.

Confira: seria possível haver uma história da arte que deixasse de falar das grandes obras melancólicas? Por certo se perderia a parte melhor do nosso humanismo criativo, que sabe fazer de uma dor um objeto aberto ao nosso reconhecimento prazeroso. Charles Chaplin, ao conceber Carlitos, dotou essa figura humana inesquecível da complexa composição de fracasso, melancolia, riso, esperteza e esperança. O vagabundo sem destino, que vive a apanhar da vida, ganhou de seu criador o condão de emocionar o mundo não com feitos gloriosos, mas com a resistente poesia que o faz enfrentar a vida munido da força interior de um melancólico disposto a trilhar com determinação seu caminho, ainda que no rumo a um horizonte incerto.


As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas na frase:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

A concordância verbal é a regra que exige que o verbo ajuste sua forma (singular ou plural, e a pessoa) para combinar com o sujeito da oração. Se o sujeito é singular, o verbo fica no singular; se o sujeito é plural, o verbo fica no plural.

  • (A) Correta: O sujeito da oração é "ninguém" (pronome indefinido no singular), e o verbo "perdoava" está corretamente na 3ª pessoa do singular, concordando com ele. A oração intercalada "a menos que fossem grandes artistas" também está correta, com "fossem" concordando com "grandes artistas".
  • (B) Incorreta: O verbo "convir" na primeira parte da frase deveria estar no singular ("Convém evitar os chatos"), pois o sujeito é a ororação infinitiva "evitar os chatos", que funciona como um sujeito oracional singular. "Convêm" está no plural.
  • (C) Incorreta: O sujeito da oração é "o desempenho superior dos grandes criadores melancólicos", cujo núcleo é "o desempenho" (singular). O verbo "destacam-se" está no plural, quando deveria estar no singular ("destaca-se") para concordar com o sujeito.
  • (D) Incorreta: O sujeito da oração é "A realização plena das formas artísticas", cujo núcleo é "A realização" (singular). O verbo "trazem" está no plural, quando deveria estar no singular ("traz") para concordar com o sujeito. Há também um erro de concordância nominal em "prazer estética" (deveria ser "prazer estético"), mas a questão foca na verbal.
  • (E) Incorreta: A segunda parte da frase apresenta problemas de concordância e regência. O sujeito de "vieram render-se" é "a plateia de todos os cinemas" (singular), portanto o verbo deveria estar no singular ("veio render-se"). Além disso, a repetição do pronome "se" ("vieram-se render-se") é redundante e incorreta.

Fonte: FCC TRT23 2022 Conhecimentos Comuns (Área Administrativa e Apoio Especializado TRT23 2022) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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