Questão nº 14
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT20 2024 (nº 14)
Poesia e ciência
É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão científica prevalecente na época.
Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente entre 96 e 55 a.C. Em um mundo completamente dominado por religiões politeístas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência cega à autoridade. O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:
“Quando a vida humana, arrastando-se pela Terra, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhos mortais contra esses tormentos [...] Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e, desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.
Dois mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, poeta da ciência e da lucidez apaixonada.
* Este texto foi publicado em 1999.
Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase:
- ALucrécio, poeta romano, tomou para si a tarefa luminosa de aproximar poesia e ciência. (alternativa correta)
- BCostuma-se dizer, que poucas atividades são antagônicas, como a poesia, e a ciência.
- CAs religiões politeístas dominaram, completamente o mundo. com ensinamentos pagãos.
- DHouve um tempo, em que a vida humana, arrastava-se pela terra.
- EUma boa leitura de Lucrécio, faria ecoar com incrível modernidade, as lições de dois mil anos atrás.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A vírgula é um sinal de pontuação que indica uma pausa breve e serve para separar elementos dentro de uma frase, mas nunca deve ser usada para separar o sujeito do predicado, ou o verbo do seu complemento direto ou indireto, a menos que haja um elemento intercalado que exija vírgulas. Ela é usada para isolar apostos explicativos, adjuntos adverbiais deslocados (especialmente os longos), e orações subordinadas adjetivas explicativas.
- (A) Correta: A vírgula está corretamente empregada para isolar o aposto explicativo "poeta romano", que adiciona uma informação extra sobre Lucrécio.
- (B) Incorreta: Há vírgula indevida antes da oração subordinada substantiva ("que poucas atividades são antagônicas") e antes da conjunção "e" que liga elementos de mesma função sintática ("a poesia e a ciência").
- (C) Incorreta: A vírgula separa o verbo "dominaram" do seu objeto direto "o mundo". Além disso, o ponto final fragmenta a frase indevidamente, pois "com ensinamentos pagãos" complementa a ideia anterior.
- (D) Incorreta: A primeira vírgula separa a oração principal da oração subordinada adjetiva restritiva ("em que a vida humana..."). Mais gravemente, a segunda vírgula separa o sujeito ("a vida humana") do predicado ("arrastava-se pela terra"). Essa é a armadilha mais comum: a separação indevida de sujeito e predicado.
- (E) Incorreta: A vírgula separa o sujeito ("Uma boa leitura de Lucrécio") do predicado ("faria ecoar..."). A segunda vírgula também é desnecessária, separando um adjunto adverbial de um complemento verbal.
Fonte: FCC TRT20 2024 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.