Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT19 2022 (nº 5)

FCC2022Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Romantismo e consumismo

O romantismo nos diz que para aproveitar ao máximo nosso potencial humano devemos ter tantas experiências diferentes quanto possível. Devemos nos abrir a um amplo leque de emoções; experimentar vários tipos de relacionamento; provar culinárias diferentes; aprender a apreciar diferentes estilos de música. Uma das melhores maneiras de fazer tudo isso é escapar da nossa rotina diária, deixar para trás nosso cenário familiar e viajar para terras distantes, onde podemos "vivenciar" a cultura, os aromas, os sabores e as normas de outros povos. Ouvimos repetidas vezes os mitos românticos sobre "como uma nova experiência abriu meus olhos e mudou minha vida".

O consumismo nos diz que para sermos felizes precisamos consumir tantos produtos e serviços quanto possível. Se sentimos que algo está faltando ou fora de lugar, provavelmente precisamos comprar um produto (um carro, roupas novas, comida orgânica) ou um serviço (limpeza doméstica, terapia de casais, aulas de yoga). Todo comercial de televisão é mais uma pequena lenda sobre a certeza de que consumir algum produto ou serviço tornará a vida melhor.

O romantismo, que encoraja a variedade, casa perfeitamente com o consumismo. Esse casamento deu à luz o infinito "mercado de experiências" sobre o qual se ergueu a indústria de turismo moderna. A indústria de turismo não vende passagens aéreas e quartos de hotel; vende experiências. Paris não é uma cidade, nem a Índia é um país – são ambos experiências cuja realização supostamente expande nossos horizontes, satisfaz nosso potencial humano e nos torna mais felizes.

(Adaptado de HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 123-124)


É inteiramente adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

A regência verbal é a relação que um verbo estabelece com seus complementos. Quando usamos um pronome relativo (como "que", "quem", "onde", "o qual" e suas variações), ele deve vir acompanhado da preposição exigida pelo verbo da oração subordinada, se houver.

(A) Incorreta: O verbo "entregar-se" rege a preposição "a" (entregar-se a algo/alguém). O pronome relativo "que" refere-se a "consumismo desenfreado" (masculino). O correto seria "a que" ou "ao qual". A crase em "à que" está incorreta, pois "que" não é um substantivo feminino que justifique a fusão da preposição "a" com o artigo "a".
(B) Correta: O verbo "dedicar" rege a preposição "a" quando significa "destinar algo a alguém/algo" (dedicar um culto a algo). "Mercadorias" é um substantivo feminino plural. O pronome relativo "as quais" é feminino plural e a preposição "a" se une ao artigo "as", formando a crase "às".
(C) Incorreta: O verbo "agregar-se" rege a preposição "a" (agregar-se a algo). O correto seria "aos mitos" ou "a que" (se "que" se referisse a "mitos"). "Nos" é a contração de "em" + "os", indicando a preposição "em", o que está incorreto para a regência de "agregar-se".
(D) Incorreta: O verbo "cultuar" é transitivo direto (cultuar algo), não exigindo preposição. "Onde" é um advérbio de lugar e não se aplica aqui, pois não há ideia de lugar. O correto seria "que" ou "o qual".
(E) Incorreta: O verbo "padronizar" é transitivo direto (padronizar algo), não exigindo preposição. "Sentimentos" é o objeto direto. O correto seria "que" ou "os quais". "Em que" está incorreto, pois a preposição "em" não é exigida pelo verbo "padronizar" nesse contexto.

Fonte: FCC TRT19 2022 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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