Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT19 2022 (nº 4)

FCC2022Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Romantismo e consumismo

O romantismo nos diz que para aproveitar ao máximo nosso potencial humano devemos ter tantas experiências diferentes quanto possível. Devemos nos abrir a um amplo leque de emoções; experimentar vários tipos de relacionamento; provar culinárias diferentes; aprender a apreciar diferentes estilos de música. Uma das melhores maneiras de fazer tudo isso é escapar da nossa rotina diária, deixar para trás nosso cenário familiar e viajar para terras distantes, onde podemos "vivenciar" a cultura, os aromas, os sabores e as normas de outros povos. Ouvimos repetidas vezes os mitos românticos sobre "como uma nova experiência abriu meus olhos e mudou minha vida".

O consumismo nos diz que para sermos felizes precisamos consumir tantos produtos e serviços quanto possível. Se sentimos que algo está faltando ou fora de lugar, provavelmente precisamos comprar um produto (um carro, roupas novas, comida orgânica) ou um serviço (limpeza doméstica, terapia de casais, aulas de yoga). Todo comercial de televisão é mais uma pequena lenda sobre a certeza de que consumir algum produto ou serviço tornará a vida melhor.

O romantismo, que encoraja a variedade, casa perfeitamente com o consumismo. Esse casamento deu à luz o infinito "mercado de experiências" sobre o qual se ergueu a indústria de turismo moderna. A indústria de turismo não vende passagens aéreas e quartos de hotel; vende experiências. Paris não é uma cidade, nem a Índia é um país – são ambos experiências cuja realização supostamente expande nossos horizontes, satisfaz nosso potencial humano e nos torna mais felizes.

(Adaptado de HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 123-124)


As normas de concordância verbal encontram-se respeitadas na frase:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Concordância verbal é a regra que faz o verbo ajustar sua forma (singular/plural, pessoa) para combinar com o seu sujeito. O verbo sempre concorda com o sujeito em número e pessoa.

  • (A) Correta: A frase está correta. O verbo "haver" no sentido de existir é impessoal (não tem sujeito) e permanece sempre no singular, assim como seu auxiliar "costuma". "Não costuma haver restrições" está correto. Na segunda parte, "dependem os negócios", o sujeito é "os negócios" (plural), e o verbo "depender" está corretamente no plural.
  • (B) Incorreta: O sujeito do verbo "interessar" é a oração infinitiva "valer-se de alguma moderação em seus atos". Nesses casos, o verbo deve ficar no singular. O correto seria "Pouco interessa aos fanáticos valer-se...".
  • (C) Incorreta: O sujeito do verbo "faltar" é "a promessa da felicidade" (singular). O verbo deveria estar no singular. O correto seria "Não falta aos produtos do mercado a promessa...".
  • (D) Incorreta: O pronome "quem", quando funciona como sujeito, geralmente leva o verbo para a terceira pessoa do singular, mesmo que seu antecedente seja plural. O correto seria "Os turistas são as principais vítimas de quem só costuma visar aos lucros fáceis." A armadilha aqui é a tentação de concordar "costumam" com "vítimas", mas a regra para "quem" como sujeito é a 3ª pessoa do singular.
  • (E) Incorreta: O sujeito do verbo "faltar" é "a análise de suas escolhas" (singular). O verbo deveria estar no singular. O correto seria "Sempre faltará aos consumidores mais compulsivos a análise...".

Fonte: FCC TRT19 2022 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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