Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2024 (nº 3)
Vale quanto pesa
Numa era obcecada pela magreza e pelos objetos portáteis, a literatura popular anda na contramão. Basta observar as prateleiras das livrarias, para constatar que os best-sellers – aquelas obras que oferecem diversão em estado puro, sem pretensões intelectuais – andam cada vez mais grossos. Sejam eles romances água-com-açúcar, de terror ou ficção científica, eles parecem feitos sob medida para entrar nos quadros de Fernando Botero. Tome-se como exemplo dois lançamentos recentes de autoras que fazem muito sucesso no Brasil. O Regresso, de Rosamunde Pilcher, tem 1091 páginas e pesa 1,52 quilo. Os Favoritos de Fortuna, de Colleen McCullough, é ainda maior: 1205 páginas e quase 2 quilos no ponteiro da balança. Não que medidas como essas sejam novidade no terreno das letras – o primeiro romance moderno, Dom Quixote, do espanhol Miguel de Cervantes, já era um calhamaço considerável. Mas os livros de ficção engordam atualmente por ordem expressa dos editores. Amparados em pesquisas de mercado, eles pedem aos autores histórias mais longas, que resultem em livros mais cheios. Querem pesos pesados – e isso não se refere ao recheio intelectual.
(Adaptado de GRAIEB, Carlos. Revista Veja. 1 de abril, 1998)
Com base no texto, o autor apresenta os livros best-sellers como:
- AProdutos moldados pelo mercado, com extensão e apelo popular em detrimento de conteúdo intelectual. (alternativa correta)
- BSímbolos de resistência contra uma sociedade que valoriza a praticidade e o consumo rápido de conteúdos.
- CResultados de uma evolução natural da literatura, que sempre priorizou histórias extensas.
- DExemplos de como a literatura contemporânea busca imitar as grandes obras clássicas.
- EProvas de que o público leitor valoriza mais a profundidade narrativa do que o formato dos livros.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O texto discute como os livros best-sellers, apesar da tendência de objetos portáteis, estão cada vez maiores e mais pesados, impulsionados por estratégias de mercado dos editores.
- (A) Correta: O texto afirma que os livros "engordam atualmente por ordem expressa dos editores" e são "amparados em pesquisas de mercado", focando em "diversão em estado puro, sem pretensões intelectuais" e que o "peso" não se refere ao "recheio intelectual". Isso demonstra que são produtos moldados pelo mercado, com grande extensão e apelo popular, em detrimento do conteúdo intelectual.
- (B) Incorreta: Embora o texto diga que a literatura popular "anda na contramão" da era da magreza, ele explica que isso ocorre "por ordem expressa dos editores" e "amparados em pesquisas de mercado", ou seja, é uma estratégia comercial, não um símbolo de resistência ideológica ou literária. Esta é a alternativa mais tentadora, pois a expressão "anda na contramão" pode levar à interpretação de "resistência", mas o texto deixa claro que a motivação é mercadológica, não de oposição consciente a valores sociais.
- (C) Incorreta: O texto menciona Dom Quixote como um calhamaço antigo, mas enfatiza que o aumento atual do tamanho dos livros é "por ordem expressa dos editores", indicando uma estratégia de mercado e não uma "evolução natural" da literatura.
- (D) Incorreta: O texto não sugere que os best-sellers buscam imitar grandes obras clássicas. Pelo contrário, ele os descreve como "sem pretensões intelectuais", o que geralmente não se associa à imitação de clássicos. A menção a Dom Quixote serve apenas para contextualizar que livros grandes não são novidade.
- (E) Incorreta: O texto afirma que os best-sellers oferecem "diversão em estado puro, sem pretensões intelectuais" e que o peso não se refere ao "recheio intelectual", o que contradiz a ideia de que o público valoriza a profundidade narrativa. O foco está na extensão física do livro como estratégia de venda.
Fonte: FCC TRT15 2024 Técnico Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.