Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2024 (nº 7)
Os deuses da cidade
Para ver uma cidade não basta ficar de olhos abertos. É preciso primeiramente descartar tudo aquilo que impede de vê-la, todas as ideias recebidas, as imagens pré-constituídas que continuam a estorvar o campo visual e a capacidade de compreensão. Depois é preciso saber simplificar, reduzir ao essencial o enorme número de elementos que a cada segundo a cidade põe diante dos olhos de quem a observa, e ligar os fragmentos espalhados num desenho analítico e ao mesmo tempo unitário, como o diagrama de uma máquina, com o qual se possa compreender como ela funciona.
A comparação da cidade com uma máquina é, ao mesmo tempo, pertinente e desviante. Pertinente porque uma cidade vive na medida em que funciona, isso é, em que serve para se viver nela e para fazer viver. Desviante porque, diferentemente das máquinas, que são criadas com vistas a uma determinada função, as cidades são todas ou quase todas o resultado de adaptações sucessivas a funções diferentes, não previstas por sua fundação anterior (penso nas cidades italianas com sua história de séculos ou de milênios).
Mais do que com a máquina, é a comparação com o organismo vivo na evolução da espécie que pode nos dizer alguma coisa importante sobre a cidade: como, ao passar de uma era para outra, as espécies vivas adaptam seus órgãos para novas funções ou desaparecem, assim também as cidades. E não podemos esquecer que na história da evolução toda espécie carrega consigo características que parecem de outras eras, na medida em que já não correspondem a necessidades vitais, mas que talvez um dia, em condições ambientais transformadas, serão as que salvarão a espécie da extinção. Assim a força da continuidade de uma cidade pode consistir em características e elementos que hoje parecem prescindíveis, porque esquecidos ou contraditos por seu funcionamento atual.
Os antigos representavam o espírito de uma cidade com aquele tanto de vago e aquele tanto de preciso que essa operação implica, evocando os nomes dos deuses que presidiram sua fundação: nomes que equivalem a personificações de posturas vitais do comportamento humano e que tinham de garantir a vocação profunda da cidade. Uma cidade pode passar por catástrofes e anacronismos, ver estirpes diferentes sucedendo-se em suas casas, ver suas casas mudarem cada pedra, mas deve, no momento certo, sob formas diferentes, reencontrar os próprios deuses.
Transpondo-se para a voz passiva a frase As espécies vivas adaptam seus órgãos para novas funções, a forma verbal resultante deverá ser:
- Avirão a adaptar.
- Bficam adaptados.
- Cterão adaptado.
- Dhaverão de adaptar.
- Esão adaptados. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A voz passiva é formada pelo verbo auxiliar "ser" (ou, em alguns casos, "estar" ou "ficar") conjugado no mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa, seguido do particípio passado do verbo principal, que concorda em gênero e número com o sujeito.
- (A) Incorreta: "virão a adaptar" é uma locução verbal no futuro do presente, na voz ativa, e não corresponde ao tempo verbal original (presente) nem à voz passiva.
- (B) Incorreta: "ficam adaptados" usa o verbo "ficar", que expressa um estado resultante ou uma permanência, e não a ação de ser adaptado no sentido direto da voz passiva que o verbo "adaptam" (presente do indicativo) exige. É uma armadilha comum, pois "ficar" + particípio pode parecer passivo, mas não é a transformação direta da ação.
- (C) Incorreta: "terão adaptado" é uma locução verbal no futuro do presente composto, na voz ativa, e não corresponde ao tempo verbal original (presente) nem à voz passiva.
- (D) Incorreta: "haverão de adaptar" é uma locução verbal no futuro do presente, na voz ativa, e não corresponde ao tempo verbal original (presente) nem à voz passiva.
- (E) Correta: A frase original "As espécies vivas adaptam seus órgãos para novas funções" está na voz ativa, com o verbo "adaptam" no presente do indicativo. Para transpor para a voz passiva, o objeto direto ("seus órgãos") torna-se o sujeito, e o verbo "ser" é conjugado no mesmo tempo e modo do verbo original (presente do indicativo, 3ª pessoa do plural: "são"), seguido do particípio passado do verbo principal ("adaptados"), que concorda com o novo sujeito. Assim, "seus órgãos são adaptados".
Fonte: FCC TRT15 2024 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Engenharia de Segurança do Trabalho (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.