Questão nº 6

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2023 (nº 6)

FCC2023Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Enfermagem do TrabalhoLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Blefes

Ninguém conhece a alma humana melhor do que um jogador de pôquer. A sua e a do próximo. Numa mesa de pôquer o homem chega ao pior e ao melhor de si mesmo, e vai da euforia ao ódio numa rodada. Mas sempre como se nada estivesse acontecendo. Os americanos falam do poker face, a cara de quem consegue apostar tendo uma boa carta ou nada na mão com a mesma impassividade, embora a lava esteja turbilhonando lá dentro. Porque sabe que está rodeado de fingidos, o jogador de pôquer deve tentar distinguir quem tem jogo de quem não tem e está blefando por um tremor na pálpebra, por um tique na orelha. Ou ultrapassando a fachada e mergulhando na alma do outro.

Não se trata de adivinhar seu caráter. Não é uma questão de caráter. O blefe é um lance tão legítimo quanto qualquer outro no pôquer. Os puros são até melhores blefadores, pois só quem não tem culpa pode sustentar um poker face perfeito sob o escrutínio hostil da mesa. Há quem diga que ganhar com um blefe supera ganhar com boas cartas e que é no blefe que o pôquer deixa de ser um jogo de azar, e portanto de acaso, e se torna um jogo de talento. Já fora do pôquer o blefe perde sua respeitabilidade. É apenas sinônimo de engodo. Geralmente aplicado a pessoas que não eram o que pareciam ou fingiam ser.

(Adaptado de: VERÍSSIMO, Luis Fernando. As mentiras que os homens contam. São Paulo: Cia das Letras, 2015)


Os puros são até melhores blefadores.

O uso de "até" no trecho acima permite afirmar que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O termo "até" pode ser usado para indicar que algo é inclusive ou mesmo em um grau inesperado ou surpreendente, adicionando uma ideia de intensidade ou quebra de expectativa.

  • (A) Incorreta: A frase não estabelece uma relação de dependência entre o escrutínio e a pureza dos jogadores, mas sim que a pureza ajuda a suportar o escrutínio.
  • (B) Correta: O uso de "até" sugere que, em uma situação normal ou por senso comum, não se esperaria que pessoas "puras" (sem culpa, inocentes) fossem melhores em uma atividade que envolve engano, como o blefe. O "até" marca essa surpresa ou contra-expectativa.
  • (C) Incorreta: Embora o texto possa sugerir isso em um contexto mais amplo, a função específica do "até" na frase em questão é destacar a superioridade inesperada dos puros, e não a ausência de necessidade de pureza.
  • (D) Incorreta: O texto afirma o contrário, que a pureza é crucial: "pois só quem não tem culpa pode sustentar um poker face perfeito". Portanto, a pureza é um fator importante, não um detalhe.
  • (E) Incorreta: O texto estabelece uma ligação entre a falta de culpa (pureza) e a capacidade de blefar bem, não entre o blefe e a culpa. "só quem não tem culpa pode sustentar um poker face perfeito".

Fonte: FCC TRT15 2023 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Enfermagem do Trabalho (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.

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