Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2023 (nº 5)
Ainda hoje, quando lanço o olhar ao mar, imagino a vida de meus avós como ilhas distantes, cercadas pela vastidão de um oceano de histórias (muitas delas guardadas na linha de um horizonte que não pode mais ser lido). No alto do Morro de São Sebastião, contemplo o sol nascente e me inspiro a iniciar estas linhas. Talvez elas não contenham toda a verdade, talvez haja imprecisões e deslizes históricos, mas foi assim que eu as recebi, pela boca dos que sobreviveram.
Há décadas os japoneses iniciaram a colonização da ilha de Taiwan, tomada da China após a guerra sino-japonesa. Para lá a família Ieiri emigrou para prosperar. Chiyoko, filha do patriarca Ieiri, cresceu entre finas bonecas de porcelana, tendo os melhores instrutores, tornando-se de pianista a carateca. Sempre ávida por conhecimento, aprendeu com seu tio diversos procedimentos, tais como a realização de partos e, sobretudo, a quiropraxia. Chiyoko se transformou em uma mulher extraordinária, nadando em alto-mar e, apesar de sua compleição esguia, aventurando-se até a praticar sumô. Após aprender tantas coisas, não poderia ter se tornado outra coisa a não ser professora. Ieiri-san inspecionava as conversas dos navios que nasciam no estaleiro que dirigia com disciplina.
Naquele dia, apesar da triste guerra, Chiyoko estava feliz. Era o dia do aniversário de seu pai. Não importava a ela que seu otosan estivesse em um leito de hospital nem que o medo rondasse cada esquina. Ela tinha conseguido, a grande custo, algumas iguarias que seu pai gostava de comer. Era para comemorar a data, para celebrar a vida. E seus passos eram alegres quando a sirene tocou. E era alegre o dia quando as bombas caíram.
O hospital em que seu pai estava foi atingido. A vida naufragou. (...) Por ter aprendido tantas coisas com o tio médico, Chiyoko auxiliava os feridos durante a guerra, que estava para ser perdida.
(Adaptado de: KONDO, André. Origens. Editora do Brasil, 2019. Edição Eletrônica)
Colocando-se o verbo "existir" no lugar do "haver" no trecho talvez haja imprecisões e deslizes históricos (1º parágrafo), a forma verbal resultante será:
- Aexistiriam.
- Bexistira.
- Cexista.
- Dexistam. (alternativa correta)
- Eexiste.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O verbo haver no sentido de existir é impessoal, ou seja, não tem sujeito e é sempre conjugado na 3ª pessoa do singular. Já o verbo existir é pessoal, concorda com o sujeito em número e pessoa.
- (A) Incorreta: "Existiriam" está no futuro do pretérito (condicional), e a frase original exige o presente do subjuntivo devido ao "talvez".
- (B) Incorreta: "Existira" está no mais-que-perfeito do indicativo e no singular, enquanto a frase exige o presente do subjuntivo e o plural.
- (C) Incorreta: "Exista" está no presente do subjuntivo, mas no singular. O sujeito "imprecisões e deslizes históricos" é plural, e o verbo "existir" deve concordar com ele. Esta é a armadilha: o "haja" original é singular porque "haver" é impessoal, mas "existir" é pessoal e concorda com o sujeito plural.
- (D) Correta: "Existam" está no presente do subjuntivo e no plural, concordando com o sujeito plural "imprecisões e deslizes históricos" e mantendo o sentido de possibilidade indicado por "talvez".
- (E) Incorreta: "Existe" está no presente do indicativo, e a frase original exige o presente do subjuntivo devido ao "talvez".
Fonte: FCC TRT15 2023 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Comunicação Social (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.