Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT14 2022 (nº 7)
Quando criança, fui ensinada que a população negra havia sido escrava e ponto, como se não tivesse existido uma vida anterior nas regiões de onde essas pessoas foram tiradas à força. Disseram-me que a população negra era passiva e que "aceitou" a escravidão sem resistência. Também me contaram que a princesa Isabel havia sido sua grande redentora. No entanto, essa era a história contada do ponto de vista dos vencedores, como diz Walter Benjamin.
O que não me contaram é que o Quilombo do Palmares, na serra da Barriga, em Alagoas, perdurou por mais de um século, e que se organizaram vários levantes como forma de resistência à escravidão, como a Revolta dos Malês e a Revolta da Chibata. Com o tempo, compreendi que a população negra havia sido escravizada, e não era escrava.
Se para mim, que sou filha de um militante negro e que sempre debati essas questões em casa, perceber essas nuances é algo complexo e dinâmico, para quem refletiu pouco ou nada sobre esse tema pode ser ainda mais desafiador. O processo envolve uma revisão crítica profunda de nossa percepção de si e do mundo. Implica perceber que mesmo quem busca ativamente a consciência racial já compactuou com violências contra grupos oprimidos.
Com o tempo, compreendi que a população negra havia sido escravizada. (2º parágrafo)
Reescrevendo o trecho acima por meio da voz passiva sintética, e mantendo a correlação temporal, a forma verbal utilizada será
- Atinha sido.
- Bse escravizara. (alternativa correta)
- Cescravizou.
- Dse escravizaram.
- Ese escravizou.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A voz passiva sintética é uma forma de expressar a passividade de uma ação usando um verbo na terceira pessoa (singular ou plural) seguido da partícula "se", onde o sujeito da frase sofre a ação.
- (A) Incorreta: "tinha sido" ainda é uma forma da voz passiva analítica (verbo "ter" + particípio), não sintética.
- (B) Correta: "se escravizara" é a forma verbal na terceira pessoa do singular do pretérito mais-que-perfeito simples ("escravizara") combinada com a partícula "se", formando a voz passiva sintética e mantendo a correlação temporal do "havia sido escravizada" (pretérito mais-que-perfeito composto).
- (C) Incorreta: "escravizou" está na voz ativa e no pretérito perfeito simples, não correspondendo à voz passiva nem ao tempo verbal original.
- (D) Incorreta: "se escravizaram" está no pretérito perfeito simples e no plural, enquanto o sujeito "a população negra" é singular e o tempo verbal original é o pretérito mais-que-perfeito.
- (E) Incorreta: "se escravizou" forma a voz passiva sintética no pretérito perfeito simples, mas o tempo verbal original ("havia sido escravizada") é o pretérito mais-que-perfeito. A armadilha aqui é que a forma "se escravizou" está correta para a voz passiva sintética e concorda em número com o sujeito singular, mas falha em manter a correlação temporal exata do pretérito mais-que-perfeito.
Fonte: FCC TRT14 2022 Técnico Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.