Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT14 2022 (nº 4)

FCC2022Comum Analista Área Judiciária TRT14 2022Língua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

O meu ofício
O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada sobre o valor daquilo que posso escrever. Quando me ponho a escrever, sinto-me extraordinariamente à vontade e me movo num elemento que tenho a impressão de conhecer extraordinariamente bem: utilizo instrumentos que me são conhecidos e familiares e os sinto bem firmes em minhas mãos. Se faço qualquer outra coisa, se estudo uma língua estrangeira, se tento aprender história ou geografia, ou tricotar uma malha, ou viajar, sofro e me pergunto como é que os outros conseguem fazer essas coisas. E tenho a impressão de ser cega e surda como uma náusea dentro de mim.

Já quando escrevo nunca penso que talvez haja um modo mais correto, do qual os outros escritores se servem. Não me importa nada o modo dos outros escritores. O fato é que só sei escrever histórias. Se tento escrever um ensaio de crítica ou um artigo sob encomenda para um jornal, a coisa sai bem ruim. O que escrevo nesses casos tenho de ir buscar fora de mim. E sempre tenho a sensação de enganar o próximo com palavras tomadas de empréstimo ou furtadas aqui e ali.

Quando escrevo histórias, sou como alguém que está em seu país, nas ruas que conhece desde a infância, entre as árvores e os muros que são seus. Este é o meu ofício, e o farei até a morte. Entre os cinco e dez anos ainda tinha dúvidas e às vezes imaginava que podia pintar, ou conquistar países a cavalo, ou inventar uma nova máquina. Mas a primeira coisa séria que fiz foi escrever um conto, um conto curto, de cinco ou seis páginas: saiu de mim como um milagre, numa noite, e quando finalmente fui dormir estava exausta, atônita, estupefata.


As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

A concordância verbal é a regra que determina que o verbo deve ajustar sua forma (número e pessoa) para concordar com o seu sujeito. Se o sujeito é singular, o verbo fica no singular; se o sujeito é plural, o verbo fica no plural.

(A) Incorreta: A frase "As palavras que a alguém ocorrem deitar no papel..." apresenta uma construção ambígua. Embora "ocorrem" possa concordar com "As palavras", a expressão "ocorrer deitar no papel" pode ser interpretada como "ocorrer o fato de deitar no papel". Nesse caso, o sujeito de "ocorrer" seria a oração infinitiva "deitar no papel", que exige o verbo no singular ("ocorre"). Assim, para a concordância ser plena, o ideal seria "As palavras que a alguém ocorre deitar no papel..." ou uma reestruturação da frase.
(B) Correta: Todos os verbos concordam corretamente com seus sujeitos. "Gaba-se" concorda com "a autora" (singular). "Recorre" concorda com "a autora" (subentendida como sujeito do "que"). "Falta" concorda com "a espontaneidade dos bons escritos" (singular), que é o sujeito do verbo "faltar".
(C) Incorreta: O verbo "Faltam" está no plural, mas seu sujeito é "a facilidade que encontra ela em escrever seus textos", que é singular. O correto seria "Falta". A armadilha da banca aqui é a inversão da ordem, colocando o verbo antes do sujeito e um termo plural ("às tarefas outras") antes do verbo, induzindo ao erro.
(D) Incorreta: O verbo "dissipou" está no singular, mas seu sujeito é "Os possíveis entraves", que está no plural. O correto seria "dissiparam".
(E) Incorreta: Na locução verbal "haveria de surgir", o verbo "haver" atua como auxiliar do verbo "surgir". Como o verbo principal "surgir" tem um sujeito no plural ("impulsos mais fortes"), o verbo auxiliar "haver" deve concordar com ele. Portanto, o correto seria "Não haveriam de surgir impulsos mais fortes". A armadilha é confundir o uso de "haver" como auxiliar com o "haver" impessoal (no sentido de "existir"), que sempre fica no singular.

Fonte: FCC TRT14 2022 Conhecimentos Comuns (Analista Área Judiciária TRT14 2022) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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