Questão nº 7

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-15 2018 (nº 7)

FCC2018Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade ArquiteturaLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Sem grande aviso, o mundo digital está mudando em suas bases. O que um dia foi um meio anônimo transformou-se numa ferramenta dedicada a analisar dados pessoais.

Grande parte das pessoas imaginam que, ao procurar um termo na internet, todos obteremos os mesmos resultados. No entanto, hoje isso já não é verdade. Agora, obtemos o resultado que um filtro personalizado sugere ser melhor para cada usuário específico.

Durante algum tempo, parecia que a internet iria redemocratizar a sociedade. “Jornalistas cidadãos” iriam reconstruir os meios de comunicação. Os governos locais se tornariam mais transparentes. Contudo, esses tempos de conectividade cívica com os quais eu tanto sonhava ainda não chegaram.

A democracia exige que os cidadãos enxerguem as coisas pelo ponto de vista dos outros; em vez disso, estamos cada vez mais fechados em nossas próprias bolhas. A democracia exige que nos baseemos em fatos compartilhados; no entanto, estão nos oferecendo universos distintos e paralelos.

Naturalmente, há boas razões para que os filtros personalizados sejam tão fascinantes. Somos sobrecarregados por uma torrente de informações. Eric Schmidt costuma ressaltar que, se gravássemos toda a comunicação humana desde o início dos tempos até 2003, precisaríamos de 5 bilhões de gigabytes para armazená-la. Agora, criamos essa mesma quantidade de dados a cada dois dias.

Tudo isso levará ao colapso da atenção. Somos cada vez mais incapazes de processar tanta informação. Nossa concentração se desvia da mensagem de texto para as principais notícias e daí para o e-mail. A tarefa de examinar essa torrente cada vez mais ampla em busca das partes realmente importantes, ou apenas relevantes, já demanda dedicação integral. Assim, quando os filtros personalizados oferecem uma ajuda, tendemos a aceitá-la.

Deixados por conta própria, os filtros de personalização servem como uma espécie de autopropaganda invisível, doutrinando-nos com nossas próprias ideias, amplificando nosso desejo por coisas conhecidas e nos deixando alheios aos perigos ocultos no território do desconhecido. Na bolha dos filtros, há menos espaço para os encontros fortuitos que proporcionam novas percepções e aprendizados.

A criatividade muitas vezes é atiçada pela colisão de ideias surgidas em disciplinas e culturas diferentes. Por definição, um mundo construído a partir do que é familiar é um mundo no qual não temos nada a aprender. Se a personalização for excessiva, poderá nos impedir de entrar em contato com experiências e ideias capazes de mudar o modo como pensamos.

Das megacidades à nanotecnologia, estamos criando uma sociedade cuja complexidade ultrapassa os limites da compreensão individual. Os problemas que enfrentaremos nos próximos vinte anos – escassez de energia, terrorismo, mudança climática – têm uma abrangência enorme. Os primeiros entusiastas da internet esperavam que a rede fosse uma nova plataforma para enfrentarmos esses problemas. Acredito que ainda possa ser.

Mas, antes, precisamos entender as forças que estão levando a internet em sua direção atual, personalizada. Precisamos entender as forças econômicas e sociais que movem a personalização, algumas inevitáveis, outras não. E precisamos entender o que tudo isso representa para a política, a cultura e o futuro. E como a bolha dos filtros distorce a percepção do que é importante, verdadeiro e real, é fundamental torná-la visível.


Está gramaticalmente correta a redação da seguinte frase adaptada do texto:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

A concordância verbal é a regra que faz o verbo se adaptar ao seu sujeito em número (singular ou plural) e pessoa (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas). A concordância nominal é a regra que faz artigos, adjetivos, pronomes e numerais se adaptarem ao substantivo a que se referem em gênero (masculino ou feminino) e número.

(A) Correta: A frase está gramaticalmente correta. O verbo "desperta" concorda com o sujeito "A colisão" (singular). O verbo "surgem" concorda com o pronome relativo "que", que retoma "ideias" (plural). Os adjetivos "diferentes" e "muitas" concordam em número com os substantivos "disciplinas e culturas" e "vezes", respectivamente.
(B) Incorreta: O verbo "ter" na construção "não se têm nada a aprender" deveria estar no singular ("não se tem nada a aprender"), pois "nada" é singular, ou, se o "se" for índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica na 3ª pessoa do singular. A armadilha é a presença de "nada", que pode levar à confusão sobre a concordância do verbo "ter" no sentido de "existir" ou "haver".
(C) Incorreta: O sujeito do verbo "Demandam" é a oração infinitiva "encontrar na torrente... as que são realmente relevantes". Quando o sujeito é uma oração infinitiva, o verbo principal deve permanecer no singular. O correto seria "Demanda tempo e dedicação integral...".
(D) Incorreta: Há dois erros de concordância. Primeiro, o adjetivo "necessário" deve concordar em gênero e número com o substantivo feminino "compreensão" quando este é precedido de artigo, então o correto seria "É necessária a compreensão". Segundo, o pronome relativo "que" retoma "padrões econômicos e sociais" (plural), portanto, o verbo "pode" deveria estar no plural: "que nem sempre podem ser evitados". A armadilha é a concordância do adjetivo "necessário" e a concordância verbal do "poder" com o antecedente do pronome relativo.
(E) Incorreta: O pronome relativo "quais" em "diante dos quais" deveria concordar com seu antecedente "plataforma" (singular e feminino), resultando em "diante da qual". Além disso, a regência de "diante de" com "plataforma" não é a mais adequada para expressar a ideia de "por meio de" ou "na qual".

Fonte: FCC TRT-15 2018 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Arquitetura (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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