Questão nº 13
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-11 2024 (nº 13)
Atenção: Leia o texto "Insolubilia", de Eduardo Giannetti, para responder às questões de números 8 a 14.
É difícil encontrar o que se busca quando não se sabe ao certo o que se procura. No que poderia consistir uma solução para o enigma da existência que fizesse sentido em termos humanos? Sabemos o que procuramos quando indagamos do sentido de uma palavra, de uma narrativa ou mesmo de uma vida individual: a semântica do termo; o enredo da trama e a "moral da história"; os valores norteadores e o propósito daquela vida no contexto particular em que ela transcorre. E quando se trata, contudo, da totalidade da vida ou do ser? O nó da questão não é apenas a dificuldade de formular uma conjectura minimamente plausível, mas reside na impossibilidade mesmo de sequer conceber o que possa vir a ser uma resposta adequada: pois, não importa qual seja a conjectura oferecida, ela implicará nova e justificada demanda explicativa, ou seja, um renovado – e possivelmente agravado – senso de mistério.
Suponha, por exemplo, que gerações futuras cheguem a descobrir de algum modo o que nos aconteceu e o que tudo, afinal, significa: somos um experimento científico abandonado pelos deuses nos confins do "multiverso"; ou o sonho que alguém de outro mundo está sonhando; ou uma pantomima farsesca para a gratificação de um espírito maligno; ou a via crucis probatória da salvação ou danação eterna das almas na eternidade – suponha, em suma, o que for o caso. A revelação do Grande Segredo, é de supor, teria um extraordinário efeito e nos forçaria a repensar em profundidade boa parte do que imaginávamos saber sobre nós mesmos. Ao mesmo tempo, porém, a descoberta de que "pertencemos a algo maior" ou, então, de que "o verdadeiro Deus é o Acaso", descortinaria uma dimensão adicional da nossa ignorância e tornar-se-ia ela própria o Grande Mistério a ser decifrado. O hieróglifo da existência ganharia uma nova feição e o nosso "Ah! então era isso!" serviria apenas como preâmbulo de um potencializado "Mas, então, por que tudo isso?!". A ignorância infinita desconcerta o saber finito. Seja com o "a" minúsculo das metafísicas seculares ou o "A" maiúsculo das religiões, sempre haverá um além.
E quando se trata, contudo, da totalidade da vida ou do ser? (1º parágrafo)
Considerando o contexto, o termo sublinhado acima pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 8, questão nº 9, questão nº 10, questão nº 11, questão nº 12, questão nº 14.
- Aembora
- Bporquanto
- Cpois
- Dportanto
- Eentretanto (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: Conjunções são palavras que conectam termos ou orações, estabelecendo entre eles uma relação de sentido, como oposição, adição, explicação ou conclusão. As conjunções adversativas expressam uma ideia de contraste, oposição ou ressalva em relação ao que foi dito anteriormente.
- (A) Incorreta: "Embora" é uma conjunção concessiva, indicando uma ideia de concessão ou ressalva que não impede a ação principal, diferente da oposição direta de "contudo".
- (B) Incorreta: "Porquanto" é uma conjunção explicativa ou causal, significando "porque" ou "pois", o que alteraria completamente o sentido de contraste da frase.
- (C) Incorreta: "Pois" é uma conjunção explicativa ou causal (quando antes do verbo) ou conclusiva (quando depois do verbo), não expressando a ideia de oposição ou ressalva necessária.
- (D) Incorreta: "Portanto" é uma conjunção conclusiva, indicando uma consequência ou conclusão, o que não se alinha com o sentido de transição e contraste presente na frase.
- (E) Correta: "Entretanto" é uma conjunção adversativa, sinônima de "contudo", "todavia", "no entanto" e "porém". Ela introduz uma ideia de contraste ou uma mudança de foco em relação ao que foi exposto antes, mantendo o sentido original da frase. A armadilha aqui pode ser confundir "contudo" com outras conjunções que também expressam algum tipo de contraste, como as concessivas ("embora"), mas a função de "entretanto" é a de uma adversativa direta, indicando uma oposição ou ressalva clara e direta, que é exatamente o papel de "contudo" no texto.
Fonte: FCC TRT-11 2024 Conhecimentos Comuns (TRT11 Grupo B) (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.