Questão nº 11
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-11 2024 (nº 11)
Atenção: Leia o texto "Insolubilia", de Eduardo Giannetti, para responder às questões de números 8 a 14.
É difícil encontrar o que se busca quando não se sabe ao certo o que se procura. No que poderia consistir uma solução para o enigma da existência que fizesse sentido em termos humanos? Sabemos o que procuramos quando indagamos do sentido de uma palavra, de uma narrativa ou mesmo de uma vida individual: a semântica do termo; o enredo da trama e a "moral da história"; os valores norteadores e o propósito daquela vida no contexto particular em que ela transcorre. E quando se trata, contudo, da totalidade da vida ou do ser? O nó da questão não é apenas a dificuldade de formular uma conjectura minimamente plausível, mas reside na impossibilidade mesmo de sequer conceber o que possa vir a ser uma resposta adequada: pois, não importa qual seja a conjectura oferecida, ela implicará nova e justificada demanda explicativa, ou seja, um renovado – e possivelmente agravado – senso de mistério.
Suponha, por exemplo, que gerações futuras cheguem a descobrir de algum modo o que nos aconteceu e o que tudo, afinal, significa: somos um experimento científico abandonado pelos deuses nos confins do "multiverso"; ou o sonho que alguém de outro mundo está sonhando; ou uma pantomima farsesca para a gratificação de um espírito maligno; ou a via crucis probatória da salvação ou danação eterna das almas na eternidade – suponha, em suma, o que for o caso. A revelação do Grande Segredo, é de supor, teria um extraordinário efeito e nos forçaria a repensar em profundidade boa parte do que imaginávamos saber sobre nós mesmos. Ao mesmo tempo, porém, a descoberta de que "pertencemos a algo maior" ou, então, de que "o verdadeiro Deus é o Acaso", descortinaria uma dimensão adicional da nossa ignorância e tornar-se-ia ela própria o Grande Mistério a ser decifrado. O hieróglifo da existência ganharia uma nova feição e o nosso "Ah! então era isso!" serviria apenas como preâmbulo de um potencializado "Mas, então, por que tudo isso?!". A ignorância infinita desconcerta o saber finito. Seja com o "a" minúsculo das metafísicas seculares ou o "A" maiúsculo das religiões, sempre haverá um além.
O autor lança mão da figura de linguagem denominada antítese no seguinte trecho:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 8, questão nº 9, questão nº 10, questão nº 12, questão nº 13, questão nº 14.
- Aum experimento científico abandonado pelos deuses nos confins do "multiverso" (2º parágrafo).
- BO hieróglifo da existência ganharia uma nova feição (2º parágrafo).
- CSabemos o que procuramos quando indagamos do sentido de uma palavra (1º parágrafo).
- DA ignorância infinita desconcerta o saber finito (2º parágrafo). (alternativa correta)
- Eo sonho que alguém de outro mundo está sonhando (2º parágrafo).
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Antítese é uma figura de linguagem que consiste na oposição de ideias, palavras ou frases em um mesmo contexto, criando um contraste para realçar um sentido.
(A) Incorreta: Esta alternativa apresenta uma hipótese sobre a origem da existência, sem a oposição de ideias ou termos contrastantes.
(B) Incorreta: Esta frase utiliza uma metáfora ("hieróglifo da existência") para descrever como o mistério da vida seria percebido, sem apresentar uma antítese.
(C) Incorreta: Esta é uma afirmação que descreve uma situação em que há clareza na busca, não contendo elementos opostos.
(D) Correta: O trecho "A ignorância infinita desconcerta o saber finito" apresenta uma clara oposição entre os conceitos de "ignorância infinita" e "saber finito", caracterizando a antítese.
(E) Incorreta: Assim como na alternativa A, esta é outra hipótese para o significado da existência, sem a presença de termos ou ideias em oposição direta.
Fonte: FCC TRT-11 2024 Conhecimentos Comuns (TRT11 Grupo B) (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.