Questão nº 11

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-11 2017 (nº 11)

FCC2017Técnico Judiciário – Área Apoio Especializado – Especialidade: Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Freud uma vez recebeu carta de um conhecido pedindo conselhos diante de uma escolha importante da vida. A resposta é surpreendente: para as decisões pouco importantes, disse ele, vale a pena pensar bem. Quanto às grandes escolhas da vida, você terá menos chance de errar se escolher por impulso.

A sugestão parece imprudente, mas Freud sabia que as razões que mais pesam nas grandes escolhas são inconscientes, e o impulso obedece a essas razões. Claro que Freud não se referia às vontades impulsivas proibidas. Falava das decisões tomadas de “cabeça fria”, mas que determinam o rumo de nossas vidas. No caso das escolhas profissionais, as motivações inconscientes são decisivas. Elas determinam não só a escolha mais “acertada”, do ponto de vista da compatibilidade com a profissão, como são também responsáveis por aquilo que chamamos de talento. Isso se decide na infância, por mecanismos que chamamos de identificações. Toda criança leva na bagagem alguns traços da personalidade dos pais. Parece um processo de imitação, mas não é: os caminhos das identificações acompanham muito mais os desejos não realizados dos pais do que aqueles que eles seguiram na vida.

Junto com as identificações formam-se os ideais. A escolha profissional tem muito a ver com o campo de ideais que a pessoa valoriza. Dificilmente alguém consegue se entregar profissionalmente a uma prática que não represente os valores em que ela acredita.

Tudo isso está relacionado, é claro, com a almejada satisfação na vida profissional. Mas não vamos nos iludir. Satisfação no trabalho não significa necessariamente prazer em trabalhar. Grande parte das pessoas não trabalharia se não fosse necessário. O trabalho não é fonte de prazer, é fonte de sentido. Ele nos ajuda a dar sentido à vida. Só que o sentido da vida profissional não vem pronto: ele é o efeito, e não a premissa, dos anos de prática de uma profissão. Na contemporaneidade, em que se acredita em prazeres instantâneos, resultados imediatos e felicidade instantânea, é bom lembrar que a construção de sentido requer tempo e persistência. Por outro lado, quando uma escolha não faz sentido o sujeito percebe rapidamente.

(Adaptado de KEHL, Maria Rita. Disponível em: rae.fgv.br /sites/rae.fgv.br/files/artigos)


O verbo que pode ser corretamente flexionado em uma forma do plural, sem que nenhuma outra modificação seja feita na frase, está em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Concordância verbal é a regra que faz o verbo combinar com o sujeito da frase em número (singular ou plural) e pessoa (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas). O verbo se flexiona para "concordar" com o sujeito.

(A) Incorreta: O verbo "acredita" está acompanhado do "se" como índice de indeterminação do sujeito e é transitivo indireto ("acredita em algo"), o que obriga o verbo a ficar sempre na 3ª pessoa do singular.
(B) Correta: A expressão "Grande parte das pessoas" é um sujeito partitivo. Nesses casos, o verbo pode concordar tanto com o núcleo do partitivo ("parte", no singular) quanto com o termo que o especifica ("pessoas", no plural). Assim, "não trabalharia" (singular) e "não trabalhariam" (plural) são ambas formas corretas, sem necessidade de alterar mais nada na frase.
(C) Incorreta: O sujeito do verbo "valoriza" é "a pessoa", que está no singular. Para o verbo ir para o plural ("valorizam"), o sujeito também precisaria ir para o plural ("as pessoas"), o que seria uma modificação na frase.
(D) Incorreta: O pronome relativo "que" retoma "uma prática" (singular), que é o sujeito do verbo "represente". Para o verbo ir para o plural ("representem"), o antecedente "uma prática" precisaria ser plural ("práticas"), o que seria uma modificação na frase.
(E) Incorreta: O sujeito do verbo "referia" é "Freud" (implícito, retomado do contexto), que está no singular. Para o verbo ir para o plural ("referiam"), o sujeito também precisaria ser plural (ex: "Freud e Jung"), o que seria uma modificação na frase.

Fonte: FCC TRT-11 2017 Técnico Judiciário – Área Apoio Especializado – Especialidade: Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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