Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-1 2025 (nº 9)
O individualismo e as instituições
Quando as instituições são frágeis e não funcionam, podem prevalecer as amarras da prepotência e do oportunismo violento. Na falta de normas legais que funcionem, na falta de uma representação atuante e legítima do Estado na vida social, a condição da "terra sem lei" tende à barbárie.
Exemplo disso forneceu o cinema norte-americano quando, em meados do século passado, inundou o mundo e a imaginação popular com filmes do gênero "western", supostos documentários da conquista do oeste. Uma situação padrão era representada nesses filmes: na pequena e remota cidade recém-formada, o poder local era manipulado por malfeitores poderosos, que submetiam aos seus interesses o xerife e o juiz. A "lei" servia assim de fachada para o império da autocracia e do crime, e a impunidade ameaçava ser eterna.
Mas eis que chegava o "mocinho": um homem vindo não se sabe de onde, solitário, lacônico, hábil no manejo das armas, intrépido, capaz de enfrentar e derrotar sozinho os poderosos locais — o que fazia com bravura e frieza, até deixar a cidade pacificada e sumir para sempre no horizonte, sob o olhar dos cidadãos agradecidos.
A "mensagem" desses filmes? Haveria, dentro de indivíduos especiais, um impulso natural para a justiça e a virtude, capaz de mudar a ordem das coisas. As virtudes inatas dessa liderança singular refundariam as instituições suprimidas. A figura de um herói solitário estaria na base da legitimação da ordem pública, quando esta fosse comprometida. Não deixa de ser uma forma de atribuir a uma liderança pessoal a missão de promover as instituições que tenham por escopo o bem público. Dito de outro modo: a moralidade desejável das instituições sociais já estaria presente, em gérmen, no indivíduo essencialmente virtuoso, capaz de reconduzir uma comunidade a um patamar da civilização.
A lei servia assim de fachada, e a impunidade ameaçava ser eterna.
Reescrevendo-se com coerência o período acima, de modo a iniciá-lo por A impunidade ameaçava ser eterna, o enunciado complementar deverá ser
- Aconquanto a lei servisse como fachada.
- Bpara a lei vir a servir de fachada.
- Cainda que a lei servisse de fachada.
- Denquanto a lei servia de fachada. (alternativa correta)
- Ede modo a servir a lei como fachada.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Para reescrever uma frase mantendo a coerência, é fundamental escolher conectivos (conjunções) que preservem o sentido original e a relação lógica entre as ideias.
- (A) Incorreta: "Conquanto" é uma conjunção concessiva, introduzindo uma ideia de contraste ou ressalva ("embora", "ainda que"), o que altera o sentido de simultaneidade ou adição do original.
- (B) Incorreta: "Para" indica finalidade ou propósito, mudando completamente a relação entre as duas partes da frase, que no original eram fatos coexistentes.
- (C) Incorreta: "Ainda que" é uma conjunção concessiva, assim como "conquanto", e introduz um contraste que não existia na frase original, que apenas apresentava duas situações ocorrendo em paralelo.
- (D) Correta: "Enquanto" é uma conjunção temporal que indica simultaneidade. Ela expressa que a impunidade ameaçava ser eterna ao mesmo tempo em que a lei servia de fachada, mantendo a relação de coexistência e adição de informações presente no "e" da frase original.
- (E) Incorreta: "De modo a" expressa modo ou consequência, sugerindo que a impunidade levava a lei a servir de fachada, o que não corresponde à relação de simples coexistência do enunciado original.
Fonte: FCC TRT-1 2025 Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade Oficial de Justiça Avaliador Federal (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.