Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-1 2025 (nº 5)
O moço e o mar
Poucas pessoas poderão ter gozado da solidão como uma alternativa, ou seja, do convívio exclusivo consigo mesmo, com o usufruto de um prazer tão completo como faz Amyr Klink em suas longas viagens a bordo do barco Paratii. Este livro — Mar sem fim — descreve a viagem que começou em 31 de outubro de 1998 e durou cinco meses.
Nela, ele deu a volta ao mundo mais curta, mais rápida e mais difícil que poderia ser feita, circunavegando a Antártica — muitas vezes tentada, nunca conseguida. Foi conviva das estrelas, cruzou neblinas, nevascas e geleiras, e desafiou mares temperamentais.
Nada do que tiver contemplado nas breves paradas na Geórgia do Sul, ou do que possa ter restado de exótico na ilha de Bouvetoya, a mais isolada do planeta, será suficientemente inédito para ter impressionado o argonauta, muito mais ilhado ele mesmo do que aquele território ignoto e inóspito. Por mais surpreendentes que possam ser a flora e a fauna marinhas, que o marinheiro encontrou protegidas da loucura furiosa da humanidade predadora de pés firmes no chão, nada terá superado a graça que ele achou nos porões da própria alma, ao atravessar com destemor, mas com respeito, as fronteiras da vida.
Quem concorde com a dura frase em que Sartre afirma que "o inferno são os outros" está convidado a visitar o céu que cada um contém em si mesmo e que Amyr Klink se dispôs a nos revelar em mais este fascinante relato de seu caso de amor com o mar. A saga desse brasileiro transporta a mitologia grega para nossos dias, nos induzindo a crer com sua viagem que o fardo de viver pode ser mais leve, intrépido e digno de ser carregado.
(Adaptado de: NÊUMANE, José. In: KLINK, Amyr. Mar sem fim. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, orelha)
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
- AAbrigaram-se nos porões de sua alma de navegante a graça de cruzar os mares.
- BNão move a um navegante como Amyr Klink advertências como as de Sartre.
- CA muitos navegadores tentou a façanha marítima enfim conseguida por Amyr Klink. (alternativa correta)
- DSão dadas a poucas pessoas gozarem da solidão como uma alternativa.
- EEram no convívio das estrelas e no cruzar das neblinas que Amyr Klink fez sua travessia.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A concordância verbal é a regra que exige que o verbo (a ação) combine em número (singular ou plural) e pessoa (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) com o seu sujeito (quem pratica ou sofre a ação). Para garantir a concordância correta, o primeiro passo é sempre identificar o sujeito do verbo.
- (A) Incorreta: O sujeito do verbo "abrigaram-se" é "a graça de cruzar os mares", que está no singular, exigindo o verbo no singular ("abrigou-se").
- (B) Incorreta: O sujeito do verbo "move" é "advertências como as de Sartre", que está no plural, exigindo o verbo no plural ("movem"). A armadilha da banca é a inversão da ordem, colocando o objeto indireto ("a um navegante") antes do verbo, o que pode confundir a identificação do sujeito.
- (C) Correta: O sujeito do verbo "tentou" é "a façanha marítima enfim conseguida por Amyr Klink", que está no singular ("a façanha"), concordando perfeitamente com o verbo no singular ("tentou"). "A muitos navegadores" é o objeto indireto.
- (D) Incorreta: Quando o sujeito é uma oração infinitiva ("gozarem da solidão como uma alternativa"), o verbo "ser" (aqui, "são dadas") deve permanecer no singular ("É dado"). A pegadinha é a concordância com "pessoas" (objeto indireto) em vez do sujeito oracional.
- (E) Incorreta: Em construções enfáticas com "ser... que", o verbo "ser" deve concordar com o elemento enfatizado. "No convívio das estrelas e no cruzar das neblinas" é um adjunto adverbial de lugar/modo, que, mesmo composto, expressa uma circunstância singular, exigindo o verbo no singular ("Foi").
Fonte: FCC TRT-1 2025 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.