Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRE-SP 2017 (nº 5)
Quando confrontada a duas teorias – uma simples e outra complexa – para explicar um problema, a maior parte das pessoas não hesita em favorecer a primeira, também qualificada como elegante. “Em muitos casos, porém, a complexa pode ser mais interessante”, lembra o filósofo Marco Zingano, da Universidade de São Paulo. Segundo ele, a escolha é natural na cultura ocidental contemporânea porque o pensamento dessas civilizações foi moldado por Aristóteles e Platão, os filósofos de maior destaque na Grécia Antiga, para quem a metafísica da unidade tinha como paradigma a simplicidade.
Levado ao pé da letra, o resgate puramente historiográfico das contribuições da Antiguidade pode parecer folclórico diante do conhecimento atual. Mas, mesmo que oculta, a influência de Aristóteles e de Platão está presente na forma como o pensamento governa os hábitos intelectuais da civilização atual.
Um dos problemas que ocuparam Platão e Aristóteles foi a acrasia, que leva uma pessoa a tomar uma atitude contrária à que sabe ser a correta. Se está claro, por exemplo, que uma moderada dose diária de exercícios é suficiente para prevenir uma série de doenças graves e trazer benefícios à saúde, por que alguém optaria por passar horas deitado no sofá e se locomover apenas de carro? Para Sócrates, a resposta era simples: guiado pela razão, o ser humano só deixa de fazer o que é melhor se lhe faltar o conhecimento.
Platão discordava, e resolveu o dilema dividindo a alma em três partes: um par de cavalos alados conduzidos por um cocheiro que representa uma delas, a razão. Um dos cavalos, arredio, só pode ser controlado a chicotadas e representa os apetites. O outro é a porção irascível da alma. É o impulso, em geral obediente à razão, mas que pode levar a decisões impetuosas em determinadas situações. “O que determina as ações seriam fontes distintas de motivação”, observa Zingano. Platão pensou o conflito como interno à alma, dando lugar à acrasia. Já Aristóteles dedicou um livro de sua Ética ao fenômeno.
Aristóteles e Platão tiveram um papel importante – e persistente – porque foram grandes sistematizadores do conhecimento. Eles procuraram domar conceitos diversos do Universo, do corpo e da mente, entender seu funcionamento e deixar registrado para uso futuro. Resgatar esses textos, explica Zingano, é uma busca da compreensão de como a cultura ocidental descreve o mundo e enxerga a si mesma ainda hoje.
(Adaptado de: GUIMARÃES, Maria. Disponível em: revistapesquisa.fapesp.br)
... mesmo que oculta, a influência de Aristóteles e de Platão... (2º parágrafo)
A conjunção da frase acima apresenta sentido
- Aconsecutivo.
- Bcausal.
- Cconcessivo. (alternativa correta)
- Dtemporal.
- Econdicional.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conjunções são palavras que conectam orações ou termos, estabelecendo entre eles uma relação de sentido. O valor semântico é o tipo de relação que essa conexão expressa, como causa, tempo, condição ou concessão.
- (A) Incorreta: O sentido consecutivo indica uma consequência, um resultado (ex: "choveu tanto que inundou"), o que não se aplica a "mesmo que".
- (B) Incorreta: O sentido causal expressa a causa ou o motivo de algo (ex: "não saí porque choveu"), diferente da relação de "mesmo que".
- (C) Correta: A conjunção "mesmo que" introduz uma ideia que se opõe ou contrasta com a ideia principal, mas não a impede de acontecer, caracterizando uma concessão (equivalente a "ainda que", "embora", "apesar de").
- (D) Incorreta: O sentido temporal indica tempo (ex: "quando ele chegou, eu saí"), o que não é o caso de "mesmo que".
- (E) Incorreta: O sentido condicional expressa uma condição para que algo ocorra (ex: "se chover, não sairemos"), o que não é o papel de "mesmo que".
Fonte: FCC TRE-SP 2017 Conhecimentos Comuns (Apoio Especializado Técnico - TRE-SP) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.