Questão nº 7

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRE-SP 2017 (nº 7)

FCC2017Comum Apoio Especializado Superior - TRE-SPLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, considere o texto abaixo.

Discussão – o que é isso?

A palavra discussão tem sentido bastante controverso: tanto pode indicar a hostilidade de um confronto insanável (“a discussão entre vizinhos acabou na delegacia”) como a operação necessária para se esclarecer um assunto ou chegar a um acordo (“discutiram, discutiram e acabaram concordando”). Mas o que toda discussão supõe, sempre, é a presença de um outro diante de nós, para quem somos o outro. A dificuldade geral está nesse reconhecimento a um tempo simples e difícil: o outro existe, e pode estar certo, sua posição pode ser mais justa do que a minha.

Entre dois antagonistas há as palavras e, com elas, os argumentos. Uma discussão proveitosa deverá ocorrer entre os argumentos, não entre as pessoas dos contendores. Se eu trago para uma discussão meu juízo já estabelecido sobre o caráter, a índole, a personalidade do meu interlocutor, a discussão apenas servirá para a exposição desses valores já incorporados em mim: quero destruir a pessoa, não quero avaliar seu pensamento. Nesses casos, a discussão é inútil, porque já desistiu de qualquer racionalização.

As formas de discussão têm muito a ver, não há dúvida, com a cultura de um povo. Numa sociedade em que as emoções mais fortes têm livre curso, a discussão pode adotar com naturalidade uma veemência que em sociedades mais “frias” não teria lugar. Estão na cultura de cada povo os ingredientes básicos que temperam uma discussão. Seja como for, sem o compromisso com o exame atento das razões do outro, já não haverá o que discutir: estaremos simplesmente fincando pé na necessidade de proclamar a verdade absoluta, que seria a nossa. Em casos assim, falar ao outro é o mesmo que falar sozinho, diante de um espelho complacente, que refletirá sempre a arrogância da nossa vaidade.

(COSTA, Teobaldo, inédito)


No caso de uma discussão, é preciso que os contendores reconheçam essa discussão como uma forma de diálogo, que não vejam nessa discussão uma oportunidade para suas vaidades, mas que se aproveitem dessa discussão para pôr à prova a força de seus argumentos.

Evitam-se as viciosas repetições da frase acima substituindo-se os elementos sublinhados, na ordem dada, por:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 8.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Para evitar a repetição de termos, usamos pronomes oblíquos átonos (como o, a, lhe) ou tônicos (como dela, nele) para substituir substantivos. A escolha do pronome e sua posição (antes, depois ou no meio do verbo) dependem da regência verbal (se o verbo pede objeto direto ou indireto e qual preposição) e de fatores de atração (palavras como "que", "não", advérbios, etc., que puxam o pronome para antes do verbo, fenômeno chamado próclise).

  • (A) Incorreta: "reconheçam-lhe" está errado porque o verbo "reconhecer" (no sentido de aceitar, identificar) é transitivo direto, exigindo "a" (para "discussão"), não "lhe" (que é para objeto indireto). "a vejam" está incompleto, pois "não a vejam uma oportunidade" é agramatical; precisaria de "como". "lhe aproveitem" está errado porque "aproveitar-se de" exige o pronome "dela", não "lhe".
  • (B) Correta:
    • "reconheçam essa discussão" vira "a reconheçam". O verbo "reconhecer" é transitivo direto, e "essa discussão" é o objeto direto. O pronome "a" a substitui. O "que" atrai o pronome para antes do verbo (próclise).
    • "não vejam nessa discussão uma oportunidade" vira "não a vejam como". Aqui, "a" substitui "discussão", tornando-a objeto direto do verbo "ver", e "como uma oportunidade" funciona como predicativo do objeto. O "não" atrai o pronome "a" para antes do verbo (próclise).
    • "se aproveitem dessa discussão" vira "dela se aproveitem". O verbo "aproveitar-se de" é pronominal e transitivo indireto com a preposição "de". O pronome que substitui "dessa discussão" (de + ela) é "dela". O "que" atrai o "se" para antes do verbo ("que se aproveitem dela" ou "que dela se aproveitem" são ambas corretas).
  • (C) Incorreta: "lhe reconheçam" e "lhe vejam como" estão errados pelo uso de "lhe" para objetos diretos. "aproveitem dela" está errado porque o verbo é "aproveitar-se", faltando o pronome "se".
  • (D) Incorreta: (Distrator mais tentador) "reconheçam-na" e "vejam-na" estão errados na colocação pronominal, pois o "que" e o "não" são fatores de próclise, exigindo "que a reconheçam" e "não a vejam". Além disso, "vejam-na" sem o "como" é agramatical no contexto. "aproveitem-lhe" está errado pelo uso de "lhe" e pela falta do "se". A armadilha aqui é que "na" é a forma correta do pronome oblíquo para objeto direto feminino, mas a colocação (ênclise) está errada devido aos fatores de atração.
  • (E) Incorreta: "reconheçam-lhe" e "vejam-lhe" estão errados pelo uso de "lhe" para objetos diretos. Embora "se aproveitem dela" esteja correto para a terceira parte, as duas primeiras estão erradas.

Fonte: FCC TRE-SP 2017 Conhecimentos Comuns (Apoio Especializado Superior - TRE-SP) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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