Questão nº 2

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRE-SP 2017 (nº 2)

FCC2017Comum Apoio Especializado Superior - TRE-SPLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, considere o texto abaixo.

Discussão – o que é isso?

A palavra discussão tem sentido bastante controverso: tanto pode indicar a hostilidade de um confronto insanável (“a discussão entre vizinhos acabou na delegacia”) como a operação necessária para se esclarecer um assunto ou chegar a um acordo (“discutiram, discutiram e acabaram concordando”). Mas o que toda discussão supõe, sempre, é a presença de um outro diante de nós, para quem somos o outro. A dificuldade geral está nesse reconhecimento a um tempo simples e difícil: o outro existe, e pode estar certo, sua posição pode ser mais justa do que a minha.

Entre dois antagonistas há as palavras e, com elas, os argumentos. Uma discussão proveitosa deverá ocorrer entre os argumentos, não entre as pessoas dos contendores. Se eu trago para uma discussão meu juízo já estabelecido sobre o caráter, a índole, a personalidade do meu interlocutor, a discussão apenas servirá para a exposição desses valores já incorporados em mim: quero destruir a pessoa, não quero avaliar seu pensamento. Nesses casos, a discussão é inútil, porque já desistiu de qualquer racionalização.

As formas de discussão têm muito a ver, não há dúvida, com a cultura de um povo. Numa sociedade em que as emoções mais fortes têm livre curso, a discussão pode adotar com naturalidade uma veemência que em sociedades mais “frias” não teria lugar. Estão na cultura de cada povo os ingredientes básicos que temperam uma discussão. Seja como for, sem o compromisso com o exame atento das razões do outro, já não haverá o que discutir: estaremos simplesmente fincando pé na necessidade de proclamar a verdade absoluta, que seria a nossa. Em casos assim, falar ao outro é o mesmo que falar sozinho, diante de um espelho complacente, que refletirá sempre a arrogância da nossa vaidade.

(COSTA, Teobaldo, inédito)


Atente para as seguintes afirmações:

I. No primeiro parágrafo, expõe-se a condição mínima para a ocorrência de uma discussão, sem que se mencione a ação de um entrave inicial que possa dificultá-la.
II. No segundo parágrafo, aponta-se, como elemento frequente em algumas discussões, a intolerância, que não me deixa reconhecer os argumentos da pessoa a quem já julguei.
III. No terceiro parágrafo, estabelece-se uma conexão entre diferentes culturas e diferentes formas de discussão, concluindo-se que um acordo é mais fácil nas contendas mais acaloradas.

Em relação ao texto, está correto o que se afirma em

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Interpretação de texto é a capacidade de entender o significado de um texto, identificando as ideias principais, os argumentos e as informações que o autor apresenta, sem adicionar informações externas ou suposições.

(A) Incorreta: A afirmação I está incorreta porque o primeiro parágrafo menciona sim um entrave inicial: "A dificuldade geral está nesse reconhecimento a um tempo simples e difícil: o outro existe, e pode estar certo, sua posição pode ser mais justa do que a minha."
(B) Incorreta: Esta alternativa agrupa I e II. Como I é incorreta, B também é.
(C) Incorreta: Esta alternativa agrupa II e III. Como III é incorreta, C também é.
(D) Incorreta: Esta alternativa agrupa I e III. Como I e III são incorretas, D também é.
(E) Correta: A afirmação II está correta. O segundo parágrafo descreve que, ao trazer "juízo já estabelecido sobre o caráter, a índole, a personalidade do meu interlocutor", a discussão se torna inútil, pois o objetivo é "destruir a pessoa, não quero avaliar seu pensamento". Isso é a exata definição de intolerância, que impede o reconhecimento dos argumentos da pessoa já julgada. A afirmação III é o distrator mais tentador, pois a primeira parte ("estabelece-se uma conexão entre diferentes culturas e diferentes formas de discussão") está correta, mas a conclusão ("concluindo-se que um acordo é mais fácil nas contendas mais acaloradas") é falsa. O texto apenas descreve que a veemência pode ser natural em algumas culturas, mas não afirma que isso facilita o acordo; pelo contrário, reforça a necessidade universal do "exame atento das razões do outro" para que haja discussão proveitosa.

Fonte: FCC TRE-SP 2017 Conhecimentos Comuns (Apoio Especializado Superior - TRE-SP) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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