Questão nº 4
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRE-SP 2017 (nº 4)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, considere o texto abaixo.
Discussão – o que é isso?
A palavra discussão tem sentido bastante controverso: tanto pode indicar a hostilidade de um confronto insanável (“a discussão entre vizinhos acabou na delegacia”) como a operação necessária para se esclarecer um assunto ou chegar a um acordo (“discutiram, discutiram e acabaram concordando”). Mas o que toda discussão supõe, sempre, é a presença de um outro diante de nós, para quem somos o outro. A dificuldade geral está nesse reconhecimento a um tempo simples e difícil: o outro existe, e pode estar certo, sua posição pode ser mais justa do que a minha.
Entre dois antagonistas há as palavras e, com elas, os argumentos. Uma discussão proveitosa deverá ocorrer entre os argumentos, não entre as pessoas dos contendores. Se eu trago para uma discussão meu juízo já estabelecido sobre o caráter, a índole, a personalidade do meu interlocutor, a discussão apenas servirá para a exposição desses valores já incorporados em mim: quero destruir a pessoa, não quero avaliar seu pensamento. Nesses casos, a discussão é inútil, porque já desistiu de qualquer racionalização.
As formas de discussão têm muito a ver, não há dúvida, com a cultura de um povo. Numa sociedade em que as emoções mais fortes têm livre curso, a discussão pode adotar com naturalidade uma veemência que em sociedades mais “frias” não teria lugar. Estão na cultura de cada povo os ingredientes básicos que temperam uma discussão. Seja como for, sem o compromisso com o exame atento das razões do outro, já não haverá o que discutir: estaremos simplesmente fincando pé na necessidade de proclamar a verdade absoluta, que seria a nossa. Em casos assim, falar ao outro é o mesmo que falar sozinho, diante de um espelho complacente, que refletirá sempre a arrogância da nossa vaidade.
(COSTA, Teobaldo, inédito)
Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8.
- ANão fosse certas desavenças pessoais, muitas discussões acabariam em acordo, com o prevalescimento dos melhores argumentos.
- BSão mais difíceis do que se imagina conciliar posições antagônicas, por que para isso temos que considerar a pessoa íntegra do outro.
- CQuando distinguimos o outro apenas como um mal caráter, sem se pesar suas reações, somos presas de nosso próprio ressentimento.
- DO mal de certas discussões está em que sequer se reconhecem os argumentos em disputa, obscurecidos que foram pelo excesso de paixão. (alternativa correta)
- EÉ muito comum que numa discussão, haja tanto emocionalismo, por cujo se impede a chegada ao bom termo de um acordo final.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A clareza e correção da redação referem-se à ausência de erros gramaticais (concordância, regência, ortografia, pontuação) e à construção de frases com sentido lógico e inequívoco.
(A) Incorreta: Há erro de concordância verbal em "Não fosse certas desavenças" (o correto seria "Não fossem certas desavenças", concordando com o sujeito plural "desavenças") e erro de grafia em "prevalescimento" (o correto é "prevalecimento").
(B) Incorreta: Há erro de uso do "por que" (o correto seria "porque", conjunção explicativa/causal) e a expressão "a pessoa íntegra do outro" é semanticamente inadequada; o texto se refere à totalidade da pessoa ou à sua integridade, não a uma "pessoa íntegra".
(C) Incorreta: Há erro de grafia em "mal caráter" (o correto é "mau caráter", pois "mau" é adjetivo) e a construção "sem se pesar suas reações" é gramaticalmente confusa e semântica (o correto seria "sem que se pesem suas razões/argumentos" ou "sem pesar suas razões").
(D) Correta: A frase está gramaticalmente correta em todos os seus aspectos (concordância, regência, ortografia, pontuação) e apresenta clareza de sentido, alinhando-se com a ideia do texto de que a paixão pode obscurecer os argumentos.
(E) Incorreta: Há erro de regência e uso do pronome relativo em "por cujo se impede" (o correto seria "o que impede" ou "por meio do qual se impede") e a expressão "chegada ao bom termo de um acordo final" é redundante e pouco idiomática (bastaria "chegada a um bom termo" ou "chegada a um acordo final").
Fonte: FCC TRE-SP 2017 Conhecimentos Comuns (Apoio Especializado Superior - TRE-SP) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.