Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRE-PR 2017 (nº 5)
Em um marco estritamente institucionalista, pode-se dizer que república é uma forma de governo que se distingue da forma monárquica. Tal distinção deve-se ao fato de que o fundamento do poder nas repúblicas não está associado a governo unipessoal e à sucessão dinástica, tal como nas monarquias, invariavelmente governadas por casas reais. Ainda que, ao longo do século 20 − e mesmo no início do 21 −, o termo "república" tenha sido utilizado na autodenominação de regimes políticos autoritários, de modo geral a ideia contemporânea de república aproxima-se da de democracia, posto que está associada à soberania popular, exercida por meio da participação em eleições regulares, livres, competitivas e extensivas a todos os postos politicamente relevantes. A tais traços devem ser acrescentadas a distinção e a separação entre teologia e política.
A ideia de república como forma de governo que se constitui como negação da forma monárquica ganhou consistência a partir da emergência das duas revoluções republicanas modernas, em fins do século 18. Embora suas origens, durações e efeitos tenham sido distintos, tanto a Revolução Americana (1776) como a Revolução Francesa (1789) tiveram imenso papel na afirmação de uma forma de governo diversa da tradição monárquica europeia. [...] Durante o século 19, tanto na Europa quanto nas antigas periferias coloniais − América do Sul, por exemplo –, vários movimentos democratizantes ou de libertação nacional evocaram a forma republicana, sempre na chave de repúdio à forma monárquica de governo unipessoal com fundamento dinástico. As revoluções europeias de 1830 e 1848, assim como os movimentos nacionais na América Espanhola, estruturaram-se em torno de ideais republicanos, cujo núcleo invariavelmente gravitava em torno da necessidade de afirmar o princípio da soberania popular.
A própria experiência brasileira, tardia com relação à da América do Sul, teve nesse traço um aspecto importante. Entre nós, a defesa da república, durante o século 19, caracterizou-se menos pela defesa de um programa claro de reforma para a sociedade e a política e mais pela simples negação do governo monárquico e pessoal de d. Pedro II. A primeira década republicana no Brasil foi marcada por forte instabilidade e por intensa disputa a respeito do que deveria significar um regime republicano. Coube ao governo do paulista Campos Salles (1898-1902) estabelecer as bases do regime, que vigoraram até 1930.
É correta a seguinte afirmação:
- A(linhas 1 e 2) No período Em um marco estritamente institucionalista, pode-se dizer que república é uma forma de governo que se distingue da forma monárquica, ambas as palavras grifadas são pronomes relativos.
- B(linha 18) Em A própria experiência brasileira, tardia com relação à da América do Sul, teve nesse traço um aspecto importante, o segmento destacado refere-se à necessidade de afirmar o princípio da soberania popular. (alternativa correta)
- C(linhas 15 a 17) Em As revoluções europeias de 1830 e 1848 [...] estruturaram-se em torno de ideais republicanos, cujo núcleo invariavelmente gravitava em torno da necessidade de afirmar o princípio da soberania popular, a forma infinitiva compõe uma locução verbal.
- D(linhas 9 e 10) Em A ideia de república como forma de governo que se constitui como negação da forma monárquica ganhou consistência a partir da emergência das duas revoluções republicanas modernas, a separação do segmento destacado por vírgulas não prejudica o sentido original.
- E(linha 9) Em A ideia de república como forma de governo que se constitui como negação da forma monárquica, a forma verbal destacada, no presente do indicativo, tem a mesma grafia da forma no pretérito perfeito do indicativo, ficando a
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A interpretação de texto envolve a compreensão do sentido das palavras e frases no contexto, incluindo a identificação de referências anafóricas (quando uma palavra se refere a algo já mencionado) e a análise de aspectos gramaticais como classes de palavras, estrutura verbal e pontuação.
- A) Incorreta: O primeiro "que" ("pode-se dizer que república é...") é uma conjunção integrante, pois introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta. O segundo "que" ("forma de governo que se distingue...") é um pronome relativo, pois retoma "forma de governo" e introduz uma oração subordinada adjetiva.
- (B) Correta: O segmento "nesse traço" refere-se ao "núcleo" dos ideais republicanos mencionados no parágrafo anterior, que "invariavelmente gravitava em torno da necessidade de afirmar o princípio da soberania popular". A experiência brasileira, portanto, também teve essa necessidade como um aspecto importante.
- C) Incorreta: A forma "afirmar" é um verbo no infinitivo, mas não compõe uma locução verbal. Uma locução verbal é formada por um verbo auxiliar e um verbo principal (ex: "vai afirmar", "estava afirmando"). Aqui, "afirmar" complementa o substantivo "necessidade", funcionando como um complemento nominal.
- D) Incorreta: O segmento "que se constitui como negação da forma monárquica" é uma oração subordinada adjetiva restritiva, essencial para especificar qual ideia de república está sendo abordada. Separar por vírgulas a transformaria em uma oração adjetiva explicativa, o que prejudicaria o sentido original ao alterar a especificidade da informação. A armadilha da banca reside em confundir a função da vírgula em orações adjetivas, onde sua presença ou ausência muda o significado de restritivo para explicativo.
- E) Incorreta: A forma verbal "constitui" está no presente do indicativo (ele/ela constitui). A forma correspondente no pretérito perfeito do indicativo é "constituiu" (ele/ela constituiu). As grafias são diferentes, com a presença do "u" no pretérito perfeito.
Fonte: FCC TRE-PR 2017 Conhecimentos Comuns (Analista Judiciário) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.