Questão nº 28
Questão de Raciocínio Crítico, Lógico e Estatística · FCC SEFAZ-SC 2018 - Conhecimentos Gerais (P1) (nº 28)
Na narrativa tradicional, o narrador é em geral onisciente. Para citar um exemplo clássico: no Dom Quixote, de Cervantes, ele possui livre acesso à consciência da personagem principal. O Quixote personagem sabe menos a seu próprio respeito e a respeito daquilo que acontece do que o narrador de Cervantes. Este último tem garantida a distância que o separa do Quixote herói, e por isso é capaz de delimitar conscientemente os disparates do seu personagem. Isso explica o episódio em que o Cavaleiro da Triste Figura toma moinhos de vento por gigantes que, no seu delírio, é preciso combater. Mas hoje os tempos são outros, o universo se tornou complexo, os detalhes se multiplicaram e abriram passagem à alienação, à visão parcelada do mundo, em resumo: à falsa consciência. Um dos resultados desse desdobramento histórico, em termos artísticos, foi o narrador insciente, que não sabe nada, ou quase nada, tanto quanto o seu anti-herói (que é derrotado pelos obstáculos em vez de derrotá-los).
Considerando os argumentos apresentados, é correto concluir que a noção de "falsa consciência"
- Adecorre da complexidade do mundo atual. (alternativa correta)
- Bé causa da visão fragmentada do mundo.
- Copõe-se à noção de anti-herói.
- Dprovoca o desaparecimento do narrador onisciente.
- Erefuta a perenidade dos obstáculos a serem derrotados pelas personagens.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A falsa consciência é, segundo o texto, uma forma de ver o mundo de maneira distorcida ou incompleta, resultado da complexidade e fragmentação da realidade moderna.
- (A) Correta: O texto afirma que "o universo se tornou complexo, os detalhes se multiplicaram e abriram passagem à alienação, à visão parcelada do mundo, em resumo: à falsa consciência". Isso indica claramente que a falsa consciência decorre (resulta) da complexidade do mundo atual.
- (B) Incorreta: O texto diz que a complexidade do mundo "abriu passagem à alienação, à visão parcelada do mundo, em resumo: à falsa consciência". Ou seja, a visão fragmentada do mundo (visão parcelada) e a alienação são elementos que levam a ou são resumidos por a falsa consciência, e não o contrário. A falsa consciência é o resultado ou a síntese dessa visão, não a sua causa. Armadilha: A proximidade das expressões "visão parcelada do mundo" e "falsa consciência" pode induzir ao erro, mas a relação de causa e efeito é da complexidade para a visão parcelada e, em resumo, para a falsa consciência.
- (C) Incorreta: O texto associa o anti-herói ao narrador insciente ("tanto quanto o seu anti-herói"), ambos resultados do "desdobramento histórico" que inclui a falsa consciência. Não há indicação de que a falsa consciência se opõe ao anti-herói; na verdade, o anti-herói pode ser uma manifestação dessa realidade de falsa consciência.
- (D) Incorreta: O texto afirma que "Um dos resultados desse desdobramento histórico, em termos artísticos, foi o narrador insciente". A falsa consciência é um dos resultados desse desdobramento histórico. Portanto, a falsa consciência não provoca diretamente o desaparecimento do narrador onisciente, mas faz parte do contexto histórico que resulta no surgimento do narrador insciente (e, por contraste, na diminuição do onisciente).
- (E) Incorreta: O texto menciona que o anti-herói "é derrotado pelos obstáculos em vez de derrotá-los". Isso descreve uma característica do anti-herói na era da complexidade, mas não que a falsa consciência refuta a perenidade (permanência) dos obstáculos. Os obstáculos continuam existindo, mas a forma como as personagens lidam com eles mudou.
Fonte: FCC SEFAZ-SC 2018 - Conhecimentos Gerais (P1) Conhecimentos Gerais (todas as áreas) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.