Questão nº 11
Questão de Língua Portuguesa · FCC SEFAZ-MA 2016 - Conhecimentos Gerais (P1) (nº 11)
Atenção: Para responder às questões de números 10 a 13, considere o texto abaixo.
Os azulejos de São Luís compõem um dos patrimônios culturais mais belos da cidade. Eles são encontrados nas fachadas das casas antigas, bem como foram e ainda são utilizados em igrejas e na decoração interna de casarões.
Foi no século XVIII, período colonial, que os azulejos lusitanos começaram a chegar à capital maranhense, em um contexto de crescimento urbano, para enriquecer a estética das casas e dos prédios comerciais.
O Museu Histórico e Artístico do Maranhão (Museu de Artes Visuais) contém o maior acervo de azulejos em exposição. Todos são provenientes de doações. Lá é possível confirmar com historiadores que o patrimônio azulejar maranhense é em sua maior parte proveniente de Portugal, mas também possui influência da França.
Os portugueses se dedicaram à produção de azulejos, utilizando técnicas diferenciadas e trabalho manual. Eles também trabalharam em prol de uma construção visual, de forma que um painel com o mesmo azulejo colocado em determinadas posições possa ser visto de várias formas.
Portugal fez de São Luís a mais lusitana das capitais brasileiras. Por isso, a cidade preserva o maior aglomerado urbano de azulejos dos séculos XVIII e XIX, em toda a América Latina. Eles assumem importância no contexto universal da criação artística, pela longevidade de seu uso, sem interrupção durante cinco séculos, resistindo a tempos chuvosos e amenizando o calor do verão, devido aos matizes de branco que refletem os raios solares.
Assim, essa cultura material ludovicense, respeitada mundialmente, evoca a identidade e a memória do povo maranhense.
(Adaptado de: ASSIS, Isabella Bogéa de. Disponível em: http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/heran%C3%A7-lusitana-da-cidade-dos-azulejos)
Considere as afirmações abaixo.
I. Os portugueses se dedicaram à produção de azulejos...
O sinal indicativo de crase deverá ser mantido caso o segmento grifado seja substituído por: produzir azulejos.
II. ... resistindo a tempos chuvosos e amenizando o calor do verão...
Sem que se faça nenhuma outra alteração, a frase se manterá gramaticalmente correta se o segmento sublinhado for substituído por: qualquer intensidade de chuva.
III. ... devido aos matizes de branco que refletem os raios solares.
O segmento sublinhado está corretamente substituído por: às tonalidades brancas.
Está correto o que se afirma APENAS em
Este texto de apoio vale também pra questão nº 10, questão nº 12, questão nº 13.
- AII.
- BI e II.
- CI e III.
- DIII.
- EII e III. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: Crase é a fusão de duas vogais “a”: a preposição “a” + o artigo definido “a” (ou “aquele”, “aquela”, etc.). Para saber se ocorre crase, troque a palavra feminina por uma masculina: se aparecer “ao”, há crase; se aparecer só “a”, não há. Além disso, a crase é obrigatória antes de palavras femininas que aceitam artigo, mas não ocorre antes de verbo, antes de palavras masculinas ou antes de expressões que não pedem artigo.
- (A) Incorreta: Na frase I, “à produção” tem crase porque “produção” é substantivo feminino que aceita artigo (“a produção”). Se substituirmos por “produzir azulejos” (verbo), não há artigo, então a preposição “a” fica sozinha: “se dedicaram a produzir azulejos” — sem crase. A banca tenta te enganar fazendo você achar que “produzir” também pede crase, mas verbo nunca recebe artigo definido feminino.
- (B) Incorreta: Na frase II, “resistindo a tempos chuvosos” está sem crase porque “tempos” é palavra masculina e plural, sem artigo definido “os” (não se diz “aos tempos chuvosos” no sentido de resistir a algo genérico). Se trocarmos por “qualquer intensidade de chuva”, temos “resistindo a qualquer intensidade de chuva” — continua sem crase, pois “qualquer” é pronome indefinido que não admite artigo “a”. A frase permanece correta, mas a afirmação II diz que a substituição mantém a correção — e isso é verdade, pois ambas as formas dispensam crase.
- (C) Incorreta: A frase I está errada (como visto em A), então a combinação I e II não pode ser correta.
- (D) Incorreta: A frase III está correta, mas a afirmação I também está errada; como a questão pede “apenas” as corretas, e II também é correta, a letra D (só III) fica incompleta.
- (E) Correta: A afirmação II está correta (substituição mantém a ausência de crase, pois “qualquer” não admite artigo) e a afirmação III está correta: “devido aos matizes” (masculino, com “ao”) → “devido às tonalidades brancas” (feminino, com “às”) — a crase é obrigatória porque “tonalidades” é feminino plural e aceita artigo “as”, e a preposição “a” exigida por “devido” se funde com esse artigo. A armadilha em I é a troca por verbo: crase nunca ocorre antes de verbo, mesmo que o sentido seja o mesmo.
Fonte: FCC SEFAZ-MA 2016 - Conhecimentos Gerais (P1) Conhecimentos Comuns (Técnicos) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.