Questão nº 54
Questão de Filosofia · FCC SEDU-ES 2022 (nº 54)
[...] relaciona a liberdade à compreensão do corpo, entendido como condição de nossa experiência no mundo. [...] não tenho um corpo, mas sou meu corpo, ou seja, meu corpo não é um objeto no mundo, mas é aquilo pelo qual o mundo existe para mim. Por isso, o corpo não é uma coisa que está no espaço e no tempo, porque ele habita o espaço e o tempo.
A afirmação é do filósofo:
- ABaruch Espinosa.
- BMaurice Merleau-Ponty. (alternativa correta)
- CJean Paul Sartre.
- DJürgen Habermas.
- E[alternativa ausente no caderno-fonte]
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave é que nosso corpo não é apenas um objeto que possuímos, mas a própria forma como existimos no mundo, percebemos e agimos, sendo a base da nossa liberdade e experiência.
- (A) Incorreta: Baruch Espinosa via o corpo e a mente como atributos de uma única substância (Deus/Natureza), e a liberdade como a compreensão da necessidade, não como a experiência encarnada do corpo.
- (B) Correta: Maurice Merleau-Ponty é o filósofo que desenvolveu a fenomenologia do corpo, afirmando que "não tenho um corpo, mas sou meu corpo". Para ele, o corpo é o nosso modo de ser no mundo, a condição primária da nossa percepção e da nossa liberdade, habitando o espaço e o tempo e sendo a fonte de todo significado.
- (C) Incorreta: Jean-Paul Sartre, embora também existencialista e tratando da liberdade e do corpo, via o corpo mais como uma "facticidade" (um dado, uma situação) que a consciência tenta transcender. A frase "sou meu corpo" é mais distintamente de Merleau-Ponty, que vê o corpo como corpo-sujeito (o corpo que percebe e age), enquanto Sartre, apesar de reconhecer a importância do corpo, frequentemente o aborda como corpo-para-si (o corpo como objeto para a própria consciência) ou corpo-para-o-outro (o corpo como objeto percebido pelos outros), e sua liberdade radical é mais sobre a escolha da consciência diante da facticidade, não tanto sobre o corpo sendo a própria condição da existência do mundo para nós, como Merleau-Ponty propõe. A armadilha é que ambos são existencialistas e tratam do corpo e da liberdade, mas a formulação específica da questão é central para Merleau-Ponty.
- (D) Incorreta: Jürgen Habermas é um filósofo da teoria crítica e da ação comunicativa, focando em linguagem, racionalidade e ética discursiva, não na fenomenologia do corpo e da percepção.
- (E) Incorreta: Alternativa ausente no caderno-fonte.
Fonte: FCC SEDU-ES 2022 Professor B - Filosofia (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.