Questão nº 44
Questão de Filosofia · FCC SEDU-ES 2022 (nº 44)
Há uma posição segundo a qual, existe uma neutralidade científica garantida pela objetividade das análises que os cientistas fazem da realidade, o que impede interferências de escolhas ou de interesses subjetivos. Haveria uma neutralidade metodológica ou uma busca de conhecimentos apenas interessada na explicação objetiva de tudo. CHAUÍ (2003) apresenta três razões para justificar a afirmação de que essa imagem da neutralidade científica é ilusória.
Contempla as três razões apresentadas pela autora:
- AÉ o cientista quem faz a escolha e a definição do seu objeto de estudos; quem toma decisões quanto ao método da pesquisa; e quem espera ou escolhe certos resultados. (alternativa correta)
- BO cientista: não escolhe o objeto de estudos; não decide pelo método de pesquisa; não deve se preocupar com os resultados a serem atingidos.
- CA escolha do objeto, do método e dos resultados de qualquer pesquisa científica são sempre determinados pelos institutos de pesquisa e o cientista só cumpre ordens.
- DO cientista pode escolher o objeto da pesquisa, mas não toma decisões quanto aos recursos para sua realização e nem quanto aos resultados esperados.
- EO cientista levanta dados, analisa-os e elabora conclusões de acordo com o referencial teórico que lhe foi imposto pela
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A neutralidade científica é a crença de que a ciência pode ser totalmente imparcial, livre de valores e interesses pessoais do pesquisador. Marilena Chauí, no entanto, argumenta que essa imagem é ilusória, pois o cientista, como indivíduo, sempre influencia o processo de pesquisa.
- (A) Correta: Esta alternativa lista as três razões de Chauí para a ilusão da neutralidade: a escolha e definição do objeto de estudos (que reflete interesses e valores do cientista), a tomada de decisões quanto ao método da pesquisa (que não é neutra, pois diferentes métodos revelam diferentes aspectos e são selecionados por critérios humanos), e a expectativa ou escolha de certos resultados (o que demonstra que o cientista não é um observador passivo, mas alguém com intenções e interpretações que moldam o processo).
- (B) Incorreta: Esta alternativa descreve o oposto do que Chauí argumenta. Ela sugere um cientista sem agência, o que seria uma condição para a neutralidade, mas Chauí afirma que o cientista sempre faz escolhas, e são essas escolhas que tornam a neutralidade ilusória. A armadilha aqui é que, se o aluno pensar na neutralidade como a ausência de escolhas, pode se confundir, mas Chauí foca na presença das escolhas do cientista como fator que impede a neutralidade.
- (C) Incorreta: Embora instituições possam influenciar, a análise de Chauí se concentra na agência e nas escolhas do cientista individual como fonte da não-neutralidade, e não apenas na subordinação a ordens externas.
- (D) Incorreta: Esta alternativa é parcialmente verdadeira sobre a escolha do objeto, mas nega a capacidade do cientista de decidir sobre recursos e, crucialmente, sobre os resultados esperados, que é um ponto central da argumentação de Chauí sobre a subjetividade.
- (E) Incorreta: A ideia de um "referencial teórico imposto" não captura a complexidade da influência subjetiva que Chauí descreve. Mesmo dentro de um referencial, o cientista faz escolhas, interpretações e tem expectativas que não são meramente passivas, mas ativamente influenciadas por sua subjetividade.
Fonte: FCC SEDU-ES 2022 Professor B - Filosofia (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.