Questão nº 13
Questão de Língua Portuguesa · FCC PGE-MT 2016 (nº 13)
Para responder às questões de números 11 a 14, considere a entrevista abaixo.
Qual acha que é a principal característica deste início de século 21?
Zygmunt Bauman: Este século é diferente do século 20. Se compararmos o que eu vivenciei quando jovem, cheio de expectativas, com o que vivencio agora, diria que estamos num estado de interregno. No “interregno", não somos uma coisa nem outra. As formas como aprendemos a lidar com os desafios da realidade não funcionam mais. Mas as novas formas, que substituiriam as antigas, ainda estão engatinhando. Não temos ainda uma visão de longo prazo [...]. Hoje, vivemos na sociedade pós-industrial do consumismo, e a passagem da sociedade de produção para a sociedade de consumo foi muito poderosa. Mudamos o foco da construção das bases do poder da sociedade para a cultura do imediatismo, do prazer, da identificação da felicidade com o aumento do consumo.
Acha correto dizer que hoje recebemos informação demais?
Zygmunt Bauman: Como E. O. Wilson, grande biólogo, expressou de forma muito sucinta: “Estamos nos afogando em informações e famintos por sabedoria". Não temos tempo de transformar fragmentos de informações em algo que podemos chamar de sabedoria. A sabedoria nos mostra como prosseguir. Como Ludwig Wittgenstein dizia: “Compreender é saber como seguir adiante". É isso que estamos perdendo.
Neste mundo hiperconectado, qual é o papel da educação?
Zygmunt Bauman: O sistema educacional atual é uma das vítimas da cultura do imediatismo. Educação e imediatismo são termos contraditórios. Certas capacidades psicológicas (como atenção, concentração e o chamado pensamento linear) estão sendo destruídas. Há mudanças na psique humana. E isso coloca os educadores numa posição muito difícil.
Que iniciativas e projetos lhe dão esperança no futuro da humanidade?
Zygmunt Bauman: Sou pessimista em relação ao curto prazo e otimista em relação ao longo prazo. Quando analisamos a história da humanidade, vemos que ela é menos cruel e sórdida agora, apesar de tudo de ultrajante que acontece. Houve muitas crises na história, mas as pessoas sempre acharam um caminho. Minha preocupação é o tempo que levarão para achar o caminho agora. Quantas pessoas se tornarão vítimas até que a solução seja encontrada?
(Adaptado da entrevista de: Zygmunt Bauman ao ++jornalista Marcelo Lins. Disponível em: **http://www.conjur.com.br**)++
Quando analisamos a história da humanidade, vemos que ela é menos cruel e sórdida agora, apesar de tudo de ultrajante que acontece.
Uma redação alternativa para a frase acima, em que se mantêm a correção e o sentido, está em:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 11, questão nº 12, questão nº 14.
- ANão se pode negar que se vê ainda hoje muitos acontecimentos cruéis e sórdidos, mas são menos ultrajantes quando se analisa a história da humanidade.
- BAo analisarmos a história da humanidade, embora vemos que ela é menos cruel e sórdida hoje, há tudo de ultrajante que acontece.
- CTendo em vista tudo de ultrajante que acontece, vê-se que, a história da humanidade a ser analisada, é menos cruel e sórdida hoje.
- DA despeito de tudo de ultrajante que acontece, percebe-se, ao se analisar a história da humanidade, que atualmente ela é menos cruel e sórdida. (alternativa correta)
- EA história da humanidade, ao ser analisada, demonstra que hoje, devido à tudo de ultrajante que acontece, há menos crueldade e sordidez.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Para reescrever uma frase mantendo a correção e o sentido, é preciso substituir palavras e estruturas por sinônimos e construções equivalentes, sem alterar a ideia principal ou cometer erros gramaticais.
- A) Incorreta: Altera o sentido. A frase original diz que a história da humanidade é menos cruel apesar dos ultrajes, enquanto esta alternativa sugere que os acontecimentos são menos ultrajantes, o que não é o mesmo.
- B) Incorreta: Contém erro gramatical. A construção "embora vemos" está incorreta; o correto seria "embora vejamos" (com o verbo no subjuntivo) ou "embora se veja".
- C) Incorreta: Altera o sentido e a fluidez. "Tendo em vista tudo de ultrajante que acontece" sugere uma causa ou consideração, e não uma concessão ("apesar de"). Além disso, a estrutura "a história da humanidade a ser analisada" é pouco natural.
- D) Correta: Mantém o sentido e a correção gramatical. "A despeito de" é sinônimo de "apesar de" (concessão). "Percebe-se" substitui "vemos" de forma impessoal e equivalente. "Ao se analisar a história da humanidade" é uma construção que expressa a mesma ideia de "Quando analisamos a história da humanidade". "Atualmente" é sinônimo de "agora".
- E) Incorreta: Altera o sentido e contém erro gramatical. "Devido à tudo de ultrajante que acontece" muda a relação de concessão ("apesar de") para causa ("por causa de"), invertendo a lógica da frase. Além disso, há erro na crase: "devido a tudo" (não há crase antes de pronome indefinido masculino "tudo").
Fonte: FCC PGE-MT 2016 Técnico – PGE - Técnico Administrativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.