Questão nº 87

Questão de História · INEP ENEM 2023 (nº 87)

INEP2023História
Gabarito: Bver comentário ↓

TEXTO I

Oriunda da Romênia, Genny Gleizer aportou no Brasil em 1932. Assim como milhares de judeus do Leste Europeu, sua vinda para o Brasil ocorreu em um momento de ascensão do antissemitismo na Europa que tornava precárias suas vidas. O Brasil se colocava como uma possibilidade na busca por condições de sobrevivência e desenvolvimento.

ANTÃO, A. C. C. B. Gênero, imigração e política: o caso da judia comunista Genny Gleizer no Governo Vargas (1932-1935). Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, 2017 (adaptado).

TEXTO II

A presença judaica no Brasil foi criando aos poucos certas desconfianças que se refletiram em órgãos da imprensa e em círculos intelectuais e políticos. Em parte, essa imagem negativa adviria da onda nacionalista surgida no final dos anos 1910, que concebia imigrantes como concorrentes dos trabalhadores brasileiros, ou como seres improdutivos, exploradores da mão de obra e da riqueza autóctone. Além disso, as elites políticas da época acreditavam que os estrangeiros eram portadores das doutrinas anarquista e comunista, estranhas à "índole do povo brasileiro". Esses "indesejáveis" seriam um mal externo que corromperia a nação.

MAIO, M. C.; CALAÇA, C. E. Um balanço da bibliografia sobre o antissemitismo no Brasil. In: GRINBERG, K. (Org.). Os judeus no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005 (adaptado).

Conforme descrito nos textos, o tratamento dispensado aos grupos mencionados se fundamentava em

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O antissemitismo no Brasil não era só "religião": ele misturava preconceito econômico (judeus vistos como concorrentes desleais no trabalho e no comércio) com preconceito ideológico (judeus associados ao comunismo e ao anarquismo, vistos como ameaça à "ordem nacional"). É isso que os dois textos destacam.

  • (A) Incorreta: os textos não citam disputas teológicas ou doutrina religiosa como base do tratamento hostil, e sim motivos sociais, econômicos e políticos.
  • (B) Correta: o Texto II fala explicitamente de imigrantes vistos como concorrentes dos trabalhadores e exploradores da riqueza nacional (aspecto socioeconômico) e como portadores do anarquismo e do comunismo (aspecto ideológico) — exatamente o que a alternativa resume.
  • (C) Incorreta: não se trata de leis de fronteira, cotas de entrada ou tarifas alfandegárias, mas do imaginário hostil construído sobre os judeus.
  • (D) Incorreta: não há menção a dispositivos constitucionais ou estatutários como fundamento do preconceito descrito.
  • (E) Incorreta: também não se aponta para decretos legislativos ou acordos internacionais como base do tratamento dispensado.

Distrator mais tentador — (A): a armadilha é associar "antissemitismo" automaticamente a religião, porque historicamente o preconceito contra judeus teve raízes religiosas na Europa medieval. Mas a banca cobrou o que os textos dizem: aqui o foco é o nacionalismo dos anos 1910-1930, que via o imigrante judeu como rival econômico e como "agitador" ideológico. Sempre volte ao texto: se ele não fala de fé, doutrina ou Igreja, a alternativa "religiosa" é isca.

Fonte: INEP ENEM 2023 (Caderno Azul). Reproduzida para fins de estudo.

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