Questão nº 57

Questão de Filosofia · INEP ENEM 2023 (nº 57)

INEP2023Filosofia
Gabarito: Ever comentário ↓

Quem se mete pelo caminho do pedido de perdão deve estar pronto a escutar uma palavra de recusa. Entrar na atmosfera do perdão é aceitar medir-se com a possibilidade sempre aberta do imperdoável. Perdão pedido não é perdão a que se tem direito [devido]. É com o preço destas reservas que a grandeza do perdão se manifesta.

A reflexão sobre o perdão apresentada no texto encontra fundamento na(s)

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O perdão, em Ricoeur, não é um direito que se cobra nem um dever automático: quem pede perdão assume o risco de ouvir "não", e quem concede o faz livremente. Ou seja, o perdão só existe onde há liberdade e autonomia entre as pessoas — sem garantia, sem obrigação.

  • (A) Incorreta: fala de "desejo de poder", mas o texto trata de humildade e risco de recusa, não de dominação.
  • (B) Incorreta: o texto não fundamenta o perdão em vontade divina; a ênfase é na relação humana livre.
  • (C) Incorreta: "predestinação" elimina a liberdade, e o perdão ricœuriano exige justamente liberdade para pedir e recusar.
  • (D) Incorreta: "conhecimento empírico" (dados, experiência sensorial) não explica o caráter ético e livre do perdão.
  • (E) Correta: é o gabarito porque traduz o núcleo do texto — o perdão acontece em relações interpessoais em que cada um age com autonomia, podendo pedir, recusar ou conceder sem garantia prévia.

Armadilha da banca (distrator mais tentador): a letra (B) seduz pelo imaginário religioso do perdão. Mas Ricoeur trata o perdão como experiência ética entre humanos, não como decreto divino — cuidado com alternativas que trazem "Deus", "destino" ou "predestinação" quando o texto fala de liberdade e relação entre pessoas.

Fonte: INEP ENEM 2023 (Caderno Azul). Reproduzida para fins de estudo.

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