Questão nº 21
Questão de Medicina do Trabalho · CESGRANRIO Petrobras PSP-RH-2017.1 (nº 21)
Em uma empresa, o gerente de recursos humanos de 58 anos, obeso, tabagista de 30 cigarros/dia, entra no serviço médico da empresa referindo desconforto torácico com 10 minutos de duração, sensação de cansaço e sudorese. Na sua ficha funcional, constava ser diabético do tipo II, tratando-se com dieta e metformina 850mg/dia. Durante o atendimento, apresentou náuseas seguidas de taquicardia ventricular. Foi removido para unidade coronariana imediatamente, onde foi feita amiodarona, tendo sido revertida a taquicardia e confirmado o diagnóstico de infarto agudo de parede inferior.
Qual exame é compatível com esse diagnóstico?
- ADesidrogenase lática elevada, com creatinofosfoquinase dentro dos limites da normalidade.
- BEletrocardiograma com supradesnivelamento do ponto J e do segmento ST das derivações V1 a V4.
- CCintilografia de perfusão miocárdica com área de isquemia de 7%.
- DCateterismo cardíaco com obstrução superior a 70% de artéria coronariana direita. (alternativa correta)
- EAngiotomografia coronariana evidenciando lesão troncular.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O conceito-chave aqui é que, no infarto agudo do miocárdio (IAM) de parede inferior, a artéria culpada é quase sempre a coronária direita (ou, menos comumente, a circunflexa). O cateterismo é o exame que confirma anatomicamente a obstrução, mostrando a lesão na artéria responsável pelo território infartado. A pegadinha da banca é misturar achados de outros tipos de infarto (como o de parede anterior) e exames que mostram isquemia (não necrose) com o quadro clínico de parede inferior.
- (A) Incorreta: A desidrogenase lática (DHL) eleva-se tardiamente e de forma inespecífica, mas a creatinofosfoquinase (CK) estaria elevada no infarto, não dentro da normalidade; a combinação descrita não é compatível com necrose miocárdica aguda.
- (B) Incorreta: O supradesnivelamento de ST em V1 a V4 é típico do infarto de parede anterior (artéria descendente anterior), não do infarto de parede inferior, que cursa com supradesnível em D2, D3 e aVF.
- (C) Incorreta: A cintilografia mostra isquemia (área com fluxo reduzido, mas ainda viável), não a necrose do infarto agudo; além disso, uma área de 7% é pequena e não explica o quadro clínico grave com taquicardia ventricular.
- (D) Correta: No infarto de parede inferior, a artéria mais frequentemente ocluída é a coronária direita; o cateterismo com obstrução >70% confirma a lesão anatômica responsável pelo evento, sendo o exame padrão-ouro para avaliar a anatomia coronariana na fase aguda.
- (E) Incorreta: A lesão de tronco de coronária esquerda (troncular) é uma emergência gravíssima, mas costuma causar infarto extenso de parede anterior ou choque cardiogênico, não o padrão de parede inferior descrito no caso.
Fonte: CESGRANRIO Petrobras PSP-RH-2017.1 Médico(a) do Trabalho Júnior. Reproduzida para fins de estudo.