Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO Petrobras PSP-RH-2017.1 (nº 6)
Como o aquecimento global está atrapalhando a aviação
No mês passado, dezenas de voos foram cancelados nos EUA por causa do calor. Veja porque isso se tornará cada vez mais comum.
Com a temperatura na casa dos 48°C — e uma sensação térmica que supera fácil os 50°C —, é complicado levar a vida normalmente. Sair de casa é pedir para começar a suar e desidratar a uma velocidade digna de ambiente desértico. Seja muito bem-vindo ao verão de Phoenix, capital do Arizona, onde o ar-condicionado é seu amigo mais inseparável.
Por lá, as temperaturas altas não impactam só as contas de luz. A onda de calor anormal que o sudoeste dos EUA enfrentou recentemente causou também outro problema, menos usual: o cancelamento de dezenas de voos comerciais. É isso mesmo. Em julho passado, aviões foram impedidos de deixar o Sky Harbor, aeroporto internacional da cidade, pelo simples motivo de estar quente demais.
Mesmo quem não é do ramo sabe que aeronaves foram criadas para operar sob algumas condições climáticas específicas. Por causa disso, vira e mexe mudanças de tempo muito bruscas como nevascas e neblinas intensas as impedem de decolar — atrasando as viagens e aumentando a impaciência dos clientes.
No que diz respeito a problemas de visibilidade, não há muito o que fazer. O ponto é que o calor também pode comprometer bastante a viagem: cientistas já demonstraram que o desempenho das aeronaves é pior em dias extremamente quentes. Isso porque o aumento da temperatura atmosférica faz a densidade do ar diminuir, o que prejudica toda a aerodinâmica do veículo.
A sustentação que as asas do avião garantem depende da densidade do ar. Quanto menor for a densidade do ar, mais rápido um avião tem que acelerar na hora da decolagem para compensar a perda de estabilidade.
O problema é que, para conseguir uma velocidade maior, é necessária uma pista com tamanho suficiente para a tarefa. Corre-se o risco, nos locais onde o trecho de asfalto é curto demais, de que o avião não adquira velocidade adequada para deslanchar de vez sem problemas de sustentação. A principal forma que as torres de controle têm para garantir que isso não aconteça é diminuir o peso da aeronave — seja retirando carga, combustível ou material humano mesmo.
Os efeitos dessa restrição de peso podem pesar no bolso das companhias aéreas e mudar operações pelo mundo todo. A conta é bem simples: menos passageiros nos voos significa menos dinheiro para as companhias aéreas. Os primeiros a sofrer com os cortes são voos mais longos. Conectar pontos distantes do globo só vale a pena se o roteiro for cumprido com o máximo de aproveitamento. A tendência, então, é que os voos maiores sejam remanejados para momentos menos quentes do dia. E como nada vem sozinho, a alteração de rotas e duração dos voos, pode, eventualmente, aumentar também o consumo de combustível. O resto você já sabe. O serviço fica mais caro, passam a existir menos opções, os aeroportos operam além da capacidade e o caos aéreo se torna maior.
Para completar o pacote, o calor poderá influenciar até mesmo no famoso "medo de avião". Isso porque a elevação das temperaturas tornará as turbulências mais frequentes e intensas. Uma pesquisa publicada neste ano mostrou que turbulências severas vão aumentar 149% e os chacoalhões moderados crescerão até 94% nos próximos anos. Culpa do aumento na quantidade de ventos de alta altitude, que ganham força com o calor.
ELER, G. Como o aquecimento global está atrapalhando a aviação. 5 ago. 2017. Disponível em: https://super.abril.com.br/tecnologia/como-o-aquecimento-global-esta-atrapalhando-a-aviacao/. Acesso em: 12 ago. 2017. Adaptado.
No trecho "A tendência, então, é que os voos maiores sejam remanejados para momentos menos quentes do dia" (ℓ. 53-55), o conector destacado estabelece, com o período anterior, uma relação semântica de
- Acausa
- Btempo
- Coposição
- Dconclusão (alternativa correta)
- Eexplicação
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Conectivos como "então" podem ter vários sentidos, mas aqui ele funciona como um marcador de conclusão: ele introduz a consequência lógica do que foi dito antes (a restrição de peso nos voos longos leva à conclusão de que eles serão remanejados). A pegadinha é que muitos alunos confundem "conclusão" com "explicação" ou "causa", mas a diferença é simples: causa responde "por que aconteceu?", e conclusão responde "o que se deduz disso?".
- (A) Incorreta: Não é causa, pois o trecho anterior (restrição de peso) não é o motivo do remanejamento, mas sim a premissa que leva a essa dedução. Causa seria algo como "porque está quente".
- (B) Incorreta: Não indica tempo, pois não marca uma sequência cronológica ("depois", "em seguida"), e sim um raciocínio lógico.
- (C) Incorreta: Não há oposição, pois o período não contrasta ideias (não há "mas", "porém", "contudo").
- (D) Correta: "Então" aqui é um conectivo conclusivo, pois introduz a consequência lógica do argumento anterior: se os voos longos sofrem com a restrição de peso, conclui-se que eles serão remanejados para horários mais frescos.
- (E) Incorreta: Não é explicação, pois não retoma o período anterior para esclarecê-lo (como "pois", "porque" explicativo). A explicação viria antes do fato, não depois.
Fonte: CESGRANRIO Petrobras PSP-RH-2017.1 Médico(a) do Trabalho Júnior. Reproduzida para fins de estudo.