Questão nº 37
Questão de Medicina do Trabalho · CESGRANRIO BASA 01/2015 (nº 37)
As lombalgias podem ter diversas causas. Considere-se um quadro em que há queixa de dor desproporcional à lesão encontrada, recorrência frequente, sem uma definição clara do movimento que provoca a dor — tudo isso associado a um momento de grande cobrança por resultados no trabalho.
Esse quadro indica um caso de lombalgia por
- Ahérnia de disco
- Binstabilidade articular
- Cconversão psicossomática (alternativa correta)
- Ddistensão músculo-ligamentar
- Efadiga da musculatura paravertebral
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: Na lombalgia psicossomática (ou conversão), a dor é real, mas a causa não está em lesão tecidual proporcional — ela é a expressão física de um conflito emocional (como estresse e cobrança no trabalho). O corpo “converte” a angústia em sintoma, por isso a dor não segue padrão mecânico (não piora com um movimento específico) e não há exame que justifique a intensidade.
- (A) Incorreta: Hérnia de disco tem dor que piora com manobra de Valsalva (tossir/espirrar) e frequentemente irradia para a perna (ciática), com achado de imagem — não se encaixa na ausência de relação com movimento.
- (B) Incorreta: Instabilidade articular gera dor com “falseios” ou sensação de deslocamento, e há teste clínico específico (ex.: sinal do pêndulo) — não é o caso de dor desproporcional sem gatilho definido.
- (C) Correta: O quadro descrito (dor desproporcional à lesão, recorrência sem causa mecânica clara, ausência de movimento que a provoca, associado a estresse por cobrança) é clássico de conversão psicossomática — a mente transforma o sofrimento emocional em sintoma físico.
- (D) Incorreta: Distensão músculo-ligamentar tem história de esforço ou trauma, dor à palpação localizada e melhora com repouso — não há essa dissociação entre queixa e exame.
- (E) Incorreta: Fadiga da musculatura paravertebral é decorrente de sobrecarga postural repetitiva, com dor difusa que piora ao final do dia e melhora com repouso — não explica a desproporção nem a ausência de movimento desencadeante.
Armadilha da banca: A pegadinha está na letra E — o aluno vê “cobrança no trabalho” e pensa em “fadiga por esforço repetitivo”. Mas a fadiga muscular tem relação direta com atividade física/postura, enquanto o caso fala de dor desproporcional e sem movimento definido — isso é o oposto da fadiga, que é proporcional ao esforço. A banca testa se você percebe que o gatilho é emocional, não biomecânico.
Fonte: CESGRANRIO BASA 01/2015 Técnico Científico - Medicina do Trabalho. Reproduzida para fins de estudo.