Questão nº 22
Questão de Direito Administrativo · CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR (nº 22)
Acerca da responsabilidade civil do Estado e de causas excludentes e atenuantes dessa responsabilidade, assinale a opção correta.
- AA existência de risco administrativo afasta a necessidade de qualquer análise do comportamento da vítima ou da presença de excludentes de responsabilidade.
- BA ocorrência de caso fortuito ou força maior exclui automaticamente a responsabilidade do Estado, independentemente da análise do nexo causal.
- CA culpa exclusiva da vítima é circunstância que pode afastar a responsabilidade do Estado, caso fique demonstrada a inexistência de nexo causal entre a conduta estatal e o dano. (alternativa correta)
- DA responsabilidade do Estado por omissão é sempre objetiva, pois decorre do simples descumprimento do dever legal de agir.
- EO Estado pode ser responsabilizado por atos de terceiros, mesmo que não exista qualquer relação entre o fato danoso e a atividade estatal.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: A responsabilidade civil do Estado, em regra, é objetiva (não precisa provar culpa do agente público), mas isso não significa que seja automática ou absoluta. Ela depende sempre do nexo causal (ligação direta entre a conduta estatal e o dano). Se esse elo for rompido por uma causa externa — como a culpa exclusiva da vítima — o Estado não pode ser responsabilizado, pois o dano não foi causado por ele.
- (A) Incorreta: A teoria do risco administrativo (base da responsabilidade objetiva) admite, sim, a análise de excludentes (culpa da vítima, caso fortuito, força maior) e de atenuantes (culpa concorrente), que podem reduzir ou afastar a indenização.
- (B) Incorreta: Caso fortuito ou força maior não excluem automaticamente a responsabilidade; é preciso verificar se o evento foi a causa exclusiva do dano ou se o Estado tinha o dever de evitar o resultado (ex.: omissão específica de vigilância).
- (C) Correta: A culpa exclusiva da vítima é causa excludente de responsabilidade, pois rompe o nexo causal. Se o dano decorre apenas da conduta da vítima, sem qualquer contribuição estatal, não há dever de indenizar.
- (D) Incorreta: A responsabilidade por omissão do Estado é, em regra, subjetiva (comprovação de culpa ou falha do serviço), salvo em situações de omissão específica com dever legal de agir, onde se aplica a teoria do risco administrativo.
- (E) Incorreta: Para responsabilizar o Estado por atos de terceiros, é indispensável que exista relação de causalidade entre a atividade estatal e o dano (ex.: preso fugido que comete crime, sob custódia do Estado). Sem esse vínculo, não há responsabilidade.
Armadilha da banca na letra (B): Ela usa o termo "automaticamente" para tentar te enganar. Muitos alunos decoram que "caso fortuito e força maior excluem a responsabilidade" e marcam essa opção sem pensar. Mas a exclusão só ocorre se o evento for imprevisível e inevitável e, principalmente, se não houver nexo causal com a conduta estatal. Se o Estado tinha o dever de impedir o dano (ex.: não manter a via sinalizada), a força maior pode até atenuar, mas não excluir a responsabilidade.
Fonte: CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR Auditor de Controle Externo - Área: Tecnologia da Informação. Reproduzida para fins de estudo.