Questão nº 20

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR (nº 20)

CEBRASPE2025Auditor de Controle Externo - Área: DireitoLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Lembremos que a concepção moderna dos direitos do homem nasce contra a violência ou os privilégios, contra os preconceitos que sustentam todas as formas de violência, sejam elas físicas, psíquicas, raciais, de gênero ou religiosas. Segundo a concepção moderna dos direitos, os homens são portadores de direitos por natureza (direito natural) e por efeito da lei positiva (direito civil), instituída pelos próprios homens. Essa diferença dos direitos é de grande envergadura porque lhes permite compreender uma prática política inexistente antes da modernidade e que se explicita, significativamente, em ocasiões muito precisas: a prática da declaração dos direitos.

A prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio para todos os seres humanos que eles são portadores de direitos e, por outro, que não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. Em outras palavras, a existência da divisão social (por exemplo, os grandes e o povo, em Maquiavel; as classes sociais, em Marx) permite supor que alguns possuem direitos e outros, não. A declaração de direitos inscreve os direitos na sociedade e na política, afirma sua origem social e política e se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, exigindo o consentimento social e político de todos. Esse reconhecimento e esse consentimento dão aos direitos a condição e a dimensão de direitos universais.

A prática política da declaração de direitos ocorre em ocasiões muito precisas. De fato, algumas declarações de direito ocorrem em situações revolucionárias, isto é, naqueles momentos em que o Baixo da sociedade se rebela contra o Alto e não mais reconhece a ordem vigente injusta: na Revolução Inglesa de 1640; na Independência dos Estados Unidos; na Revolução Francesa de 1789; na Revolução Russa de 1917. Também encontramos a declaração de direitos no período posterior à Segunda Guerra Mundial, isto é, ao fenômeno do totalitarismo nazista e fascista, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Dessa maneira, os direitos dos homens se tornaram uma questão sociopolítica comprovada pelo fato de que as declarações dos direitos ocorrem nos momentos de profunda transformação social e política, quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência de que estão criando uma sociedade nova ou defendendo a sociedade existente contra a ameaça de sua extinção. Não por acaso, portanto, no caso do Brasil, a luta pelos direitos humanos ganhou força social e política no combate à ditadura implantada em 1964 e aprofundada em 1969, com o Ato Institucional n.º 5.


Assinale a opção em que é apresentada proposta de reescrita gramaticalmente correta e coerente para o primeiro período do texto CG2A2-II.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O conceito-chave aqui é a regência do verbo "lembrar" no sentido de "trazer à memória": quando usado na forma pronominal ("lembrar-se"), exige a preposição "de" antes da oração subordinada ("lembrar-se de que"). Além disso, a concordância verbal e a correlação entre os elementos da enumeração precisam estar íntegras.

  • (A) Incorreta: "Lembremos-nos que" é redundante (o "nos" já está implícito em "lembremos") e falta a preposição "de" exigida pela forma pronominal; além disso, "seja físicas" quebra a concordância (deveria ser "sejam").
  • (B) Incorreta: "Lembremos de que" usa a forma não pronominal "lembremos" com preposição, o que é inadequado; o correto seria "lembremo-nos de que" (forma pronominal) ou "lembremos que" (forma não pronominal, sem "de").
  • (C) Incorreta: "Lembremos-nos que" repete o erro da letra A (redundância e falta de "de"); além disso, "nasce ou contra a violência ou os privilégios" é uma construção artificial e quebrada, e "sejam religiosas" desfaz a paralelismo com "sejam elas".
  • (D) Incorreta: "nascem" está no plural, mas o sujeito é singular ("a concepção moderna"); também falta o "de" após "Lembremo-nos" (que está correto na forma, mas o verbo no plural invalida a frase).
  • (E) Correta: "Lembremo-nos de que" usa corretamente a forma pronominal com a preposição "de"; "nasce" concorda com "a concepção"; "todas as formas" mantém o artigo; e "sejam elas... ou religiosas" preserva a concordância e a enumeração original. A banca aqui testa a pegadinha da regência: muitos alunos trocam "lembrar-se de que" por "lembrar que" (forma não pronominal) ou esquecem o "de" na pronominal — a letra B é a mais tentadora porque mantém o texto quase igual, mas erra justamente ao usar "lembremos" (sem pronome) com "de", misturando as duas regências.

Fonte: CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR Auditor de Controle Externo - Área: Direito. Reproduzida para fins de estudo.

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