Questão nº 54
Questão de Genética Forense · CEBRASPE PF 2025 (nº 54)
Em investigações forenses, vestígios biológicos coletados sob as unhas de vítimas podem ser cruciais para esclarecer casos de agressão física ou sexual. Um estudo recente avaliou a transferência e persistência de DNA masculino sob as unhas de mulheres em simulações controladas de arranhões. As amostras subungueais foram coletadas em diferentes momentos após o contato, sem limpeza prévia das unhas. Os resultados indicaram que o DNA do homem arranhado foi detectado até 6 horas após o evento, com uma diminuição significativa após as 3 primeiras horas. Além disso, entre 6 e 24 horas após o arranhão, foram detectados perfis genéticos masculinos estranhos aos participantes, o que sugere possível contaminação de fundo ou transferência posterior. Esses achados reforçam a importância de se considerarem o tempo de coleta e a possibilidade de DNA de fundo na interpretação de evidências subungueais, especialmente ao se avaliar o tipo de atividade envolvida.
Considerando o texto precedente como referência inicial, julgue os itens subsequentes, relativos à genética forense.
Se o DNA de fundo das amostras subungueais for originário de um animal macho, como o cachorro da vítima, por exemplo, e estiver em maior quantidade que o DNA do suspeito, o perfil genético obtido por análise de conjuntos comerciais de STR (short tandem repeats) do cromossomo Y irá excluir o suspeito.
Resposta comentada
O cromossomo Y é exclusivo de indivíduos do sexo masculino da espécie humana — primers e kits comerciais de STR-Y são desenhados para amplificar apenas sequências humanas. DNA de fundo de um animal macho (cão, gato etc.) não é amplificado por esses conjuntos, pois não compartilha os mesmos locos STR-Y humanos. Logo, a presença de DNA animal em maior quantidade não exclui o suspeito: ele simplesmente não "compete" na amplificação do Y humano.
- Correta: Errado. O item erra ao dizer que o DNA de fundo animal "irá excluir o suspeito" — na verdade, STR-Y comerciais são espécie-específicos para humanos, então DNA de cachorro macho não gera perfil Y e não tem poder de excluir ninguém.
Como ficaria certo: Se o DNA de fundo for de um animal macho, ele não será amplificado pelos conjuntos comerciais de STR do cromossomo Y (humanos), de modo que esse fundo não exclui o suspeito.
Fonte: CEBRASPE PF 2025 Perito Criminal Federal - Genética Forense. Reproduzida para fins de estudo.