Questão nº 53

Questão de Genética Forense · CEBRASPE PF 2025 (nº 53)

CEBRASPE2025Perito Criminal Federal - Genética ForenseGenética Forense

Em investigações forenses, vestígios biológicos coletados sob as unhas de vítimas podem ser cruciais para esclarecer casos de agressão física ou sexual. Um estudo recente avaliou a transferência e persistência de DNA masculino sob as unhas de mulheres em simulações controladas de arranhões. As amostras subungueais foram coletadas em diferentes momentos após o contato, sem limpeza prévia das unhas. Os resultados indicaram que o DNA do homem arranhado foi detectado até 6 horas após o evento, com uma diminuição significativa após as 3 primeiras horas. Além disso, entre 6 e 24 horas após o arranhão, foram detectados perfis genéticos masculinos estranhos aos participantes, o que sugere possível contaminação de fundo ou transferência posterior. Esses achados reforçam a importância de se considerarem o tempo de coleta e a possibilidade de DNA de fundo na interpretação de evidências subungueais, especialmente ao se avaliar o tipo de atividade envolvida.

Considerando o texto precedente como referência inicial, julgue os itens subsequentes, relativos à genética forense.


A análise de marcadores situados no cromossomo Y é inadequada quando se avalia um conjunto de suspeitos que compartilham um ancestral comum via paterna.

Resposta comentada

O cromossomo Y é transmitido praticamente sem recombinação de pai para filho homem, então todos os indivíduos que descendem de um mesmo ancestral paterno tendem a compartilhar o mesmo haplótipo (conjunto de marcadores no Y). Isso significa que a análise de marcadores do cromossomo Y tem altíssimo poder para incluir linhagens paternas, mas baixíssimo poder para individualizar dentro dessa linhagem — se vários suspeitos são parentes pela via paterna, o perfil de Y será idêntico entre eles e não permitirá distinguir quem deixou o vestígio.

  • Correta: Certo. Quando os suspeitos compartilham ancestral comum paterno, todos apresentam o mesmo haplótipo de Y; logo, o marcador não discrimina entre eles, sendo inadequado para individualizar nesse conjunto.

Fica de olho: a banca costuma trocar o tipo de marcador ou o tipo de parentesco para tentar te derrubar — por exemplo, afirmar que o Y é inadequado quando os suspeitos compartilham ancestral materno (aí seria o mtDNA, não o Y) ou dizer que o Y é adequado para individualizar entre irmãos homens (falso: irmãos homens compartilham o mesmo Y paterno).

Fonte: CEBRASPE PF 2025 Perito Criminal Federal - Genética Forense. Reproduzida para fins de estudo.

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