Questão nº 45
Questão de História do Brasil · CEBRASPE IRBR 2026 (nº 45)
O Brasil apresenta situações em que a aparente ruptura não interrompe a marcha da continuidade histórica. Da Independência à República, chegando à autodenominada Revolução de 1930, o país viveu sobressaltos institucionais que geralmente tangenciaram as bases estruturais do país, sem rompê-las integralmente. A conciliação quase sempre prevaleceu, mesmo em contextos de elevada tensão.
Considerando essas observações como referência inicial, julgue os itens subsequentes, relativos ao processo histórico brasileiro da Independência ao colapso do Império.
Em meados do século XIX, o Brasil enfrentou duas crises potencialmente perigosas no campo da política externa: a ameaça da coligação argentino-uruguaia na região platina e o confronto com a marinha britânica por causa do tráfico de escravos, com dois incidentes policiais culminando no bloqueio naval do Rio de Janeiro e no rompimento das relações diplomáticas com a Inglaterra.
Resposta comentada
No Segundo Reinado, o Brasil teve dois grandes atritos externos ao mesmo tempo: no Prata, a disputa contra a Confederação Argentina (de Rosas) e os uruguaios aliados a ele, que ameaçavam a livre navegação e a influência brasileira na região; e no Atlântico, o choque com a Inglaterra por causa do tráfico de escravos, que o Brasil havia proibido em lei, mas continuava praticando. A Inglaterra pressionava com sua marinha, e dois episódios — a apreensão de navios brasileiros (caso Cormorant) e a prisão de marinheiros britânicos em solo brasileiro (caso Christie) — escalaram para o bloqueio naval do Rio de Janeiro e o rompimento diplomático com Londres.
- Correta: Certo. As duas crises existiram de fato: a ameaça platina (Rosas + uruguaios) e o confronto com a Inglaterra pelo tráfico, com os incidentes Christie/Cormorant levando ao bloqueio do Rio e à ruptura diplomática.
Fica de olho: a banca costuma trocar os nomes dos incidentes (Christie × Cormorant) ou dizer que o rompimento foi com a Argentina em vez da Inglaterra, ou ainda afirmar que o Brasil cedeu imediatamente — quando, na verdade, resistiu e só resolveu depois com a Lei Eusébio de Queirós (1850) e a missão de reconciliação.
Fonte: CEBRASPE IRBR 2026 Diplomata (Terceiro Secretário). Reproduzida para fins de estudo.