Questão nº 41
Questão de Arquitetura e Urbanismo · FGV TJ-MS 2024 (nº 41)
Um arquiteto foi incumbido de elaborar o projeto de dois tipos de espaços fechados para apresentações culturais: um auditório, cuja fonte sonora será a palavra falada, e uma sala de concertos, que terá a música como fonte sonora. Considerando que essas fontes se diferenciam entre si, analise as afirmativas a seguir:
I. Enquanto, para a palavra falada, o crescimento e a sequência das reflexões sonoras são importantes, para a música a propagação e o decaimento sonoros também são essenciais.
II. Os ambientes com plantas baixas menores podem representar para a música excesso de reflexões e grande tempo de reverberação, e o grande espaço para a palavra falada pode significar pequeno tempo de reverberação e baixa intensidade sonora.
III. A previsão de superfícies móveis, de forma que possam ser alterados o volume, a forma da planta e os materiais do ambiente, representa uma solução para espaços de múltiplos usos, que têm como fonte tanto a palavra falada como a música.
Está correto o que se afirma em:
- AI, apenas;
- BII, apenas;
- CIII, apenas;
- DI e II, apenas;
- EII e III, apenas. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O conforto acústico em ambientes para apresentações culturais depende diretamente do tipo de som a ser produzido. A principal diferença entre um auditório para a palavra falada e uma sala de concertos para música reside na necessidade de inteligibilidade (clareza da fala) versus envolvimento sonoro e riqueza (qualidade musical), o que impacta diretamente o tempo de reverberação e o tratamento das reflexões sonoras.
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I. Incorreta: Para a palavra falada, a inteligibilidade é primordial. Isso significa que as reflexões sonoras devem ser controladas: as reflexões iniciais são benéficas para reforçar o som, mas o "crescimento" excessivo de reflexões e as reflexões tardias são prejudiciais, pois causam eco e mascaram a clareza da fala. Portanto, dizer que o "crescimento" das reflexões é importante é impreciso e pode levar a um projeto inadequado para a fala. Para a música, a propagação e o decaimento (reverberação) são, de fato, essenciais para a plenitude e riqueza do som. A armadilha aqui é a generalização sobre o "crescimento" das reflexões para a palavra falada.
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II. Correta: Ambientes menores com superfícies duras podem, sim, gerar "excesso de reflexões" (como flutter echoes) e, embora o tempo de reverberação absoluto seja geralmente menor que em grandes salas, a alta densidade de reflexões e problemas de modos de sala podem levar a uma percepção de "grande tempo de reverberação" (muddiness) para a música, prejudicando a clareza. Já um grande espaço para a palavra falada, se projetado para ter um "pequeno tempo de reverberação" (necessário para a inteligibilidade), exigirá muita absorção sonora. Essa absorção, combinada com a dispersão natural do som em um grande volume, resultará em "baixa intensidade sonora" para a fala sem amplificação.
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III. Correta: A utilização de superfícies móveis (painéis, cortinas, tetos ajustáveis) que permitem alterar o volume, a forma e os materiais de um ambiente é uma solução acústica consagrada para espaços de múltiplos usos. Isso permite ajustar o tempo de reverberação e o padrão de reflexões para atender às necessidades específicas de cada tipo de apresentação, seja a palavra falada (que requer menor reverberação) ou a música (que geralmente se beneficia de maior reverberação).
Fonte: FGV TJ-MS 2024 Técnico de Nível Superior - Arquiteto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.